quarta-feira, 12 de março de 2008

Bem-Estar e Vivências Profissionais dos Docentes da UM

Há dias realizou-se uma reunião para reflectir a problemática de Bem-Estar e Vivências Profissionais dos Docentes da UM. Foi uma reunião singular numa Universidade, de uma riqueza imensa, anunciando um futuro muito promissor quanto aos trabalhos a desenvolver. De um(a) do(a)s colegas que convidei para a reunião, que se havia comprometido a estar presente, recebi a seguinte justificação por email:


(…) Tenho tantas aulas e tanto trabalho, e estou tão cansado(a), que sinto que nem tenho tempo para parar e pensar se estou insatisfeito(a)...! Na verdade, não penso que consiga ir amanhã à reunião, pois tenho aulas de manhã, uma reunião de tarde, e uma tese para arguir. Sinto-me absolutamente esgotado(a). Não tenho tempo para tratar da saúde, quanto mais para ir a conferências e publicar artigos - e é isso, apesar de tudo, que tenho tentado fazer. Ontem, depois de noites mal dormidas de preocupação com um problema de saúde, saí, finalmente, mais aliviado(a) de uma consulta, mas só às 21.40h. Sem jantar, fui ainda ajudar uns alunos que me pediram apoio para um projecto. Acabei às 23.50h. À 1h da manhã ainda estive a responder a duas alunas que tinham dúvidas sobre a frequência da minha disciplina por causa da transição dos cursos antigos para Bolonha e a um aluno de mestrado que tinha outra dúvida. E a vida vai correndo assim, nesta avalanche de solicitações que parece fazer parte natural da nossa profissão - e pela qual parece que até nos devemos sentir gratos, por comparação com aqueles que nem trabalho têm...

Na verdade quando o sacrifício pessoal vai além de um certo limiar, já não restam energias para que a pessoa se defenda, faça algo por si, pela sua individualidade, pelo sentido de ser e do que faz. Vagueia pela vida sem rumo próprio, como objecto perdido, à mercê do torbilhão de solavancos e encontrões que lhe sacudem qualquer veleidade de vontade interior, de desejo, de ser …

EXISTIR…sem forças para SER.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Discutir publicamente a natureza das relações de poder na universidade!

No debate da tertúlea de hoje, abordei algumas das questões da natureza das que tenho tratado neste blog. Acabou por assumir alguma relevância na discussão o que um outro colega designou de “um clima de mal-estar na UM”. No final abeirou-se de mim um colega vindo da Universidade de Coimbra, dizendo-me de forma veemente:

- Você deveria criar um blog. As questões de que fala são importantes; fala-se muito desses problemas em privado, nos bastidores, mas é necessário que venham a público.

Respondei-lhe:

- Já tenho esse blog: Liberdade na UMinho.

- Óptimo, vou então estar atento - respondeu-me.

Estimado M. M. obrigado pela força.

Este foi mais um testemunho dos muitos que tenho recebido a sublinhar a importância de se colocar na agenda da discussão sobre a Universidade a cultura da instituição, a natureza das relações de poder, o respeito/violação da legalidade, a garantia/violação dos legítimos direitos das pessoas e a repercussão que tudo isto tem na qualidade da existência humana dos que fazem a Universidade. Trata-se, afinal, de discutior as condições de optimização de todo o potencial humano que Universidade alberga, na realização do interesse público.

sexta-feira, 7 de março de 2008

LIBERDADE DE EXPRESSÃO E PROJECTOS ACADÉMICOS!

A cultura de privação da liberdade de expressão na Universidade é a mesma cultura que inviabiliza a criação e a concretização de projectos académicos inovadores.

Dez anos de é muito tempo... e ainda assim não será desta!

A este propósito ver entrevista ao CANAL UP TV, disponível em

http://www.canalup.tv/videoplayer.php?id_video=1026

quarta-feira, 5 de março de 2008

Recurso Jurisdicional... Direito de Resposta

Em comentário ao post anterior recebi a mensagem identificada que abaixo reproduzo, tomando-a como legítimo direito de resposta.

Boa tarde,

o que se pretende é apenas manter os colegas informados nas várias fases deste processo, que certamente ainda terá mais fases.

Não pretendemos fazer leitura Jurídica sobre o documento que se enviou em anexo.

Cada um na sua qualidade o poderá fazer.

Torna-se importante que a Comunidade de Funcionários não Docentes da Universidade do Minho conheça, interprete e faça as suas leituras, deste processo particularmente complexo.

Cumprimentos,
Paulo Valverde


Informação divulgada na rede electrónica da UM

Recurso Jurisdicional: Eleições dos Representantes dos Funcionários não docentes

Foi difundida a toda a comunidade universitária, uma mensagem do funcionário Paulo Valverde, "informando" que o Tribunal Central Administrativo Norte decidiu pela improcedência do Recurso Jurisdicional, interposto no Processo de Contencioso Eleitoral – Eleição dos Representantes dos Funcionários não Docentes na Assembleia e no Senado Universitário – difundindo, em anexo o Parecer do Ministério Público.

Esta notícia é falsa, não tendo aquele Tribunal superior sequer ainda apreciado o Recurso, pelo que vivamente repudiamos a divulgação de mais uma "informação" desta natureza.

Os Representantes Eleitos dos Funcionários não Docentes,
Albano José Dias Serrano
Amaro António Magalhães Rodrigues
Antonio Ovídio Marques Domingues
Maria Fernanda Teixeira Ferreira

Informação divulgada na rede electrónica da UM

Comentário:

Os poderes fácticos, que nesta Universidade promovem a degenerescência institucional, esforçam-se... esforçam-se muito.

terça-feira, 4 de março de 2008

Re: Comunicado do DSEAE (¿Porqué tú no hablas?)

De: Joaquim E Neves [mailto:Joaquim.Neves@dei.uminho.pt] Enviada: terça-feira, 4 de Março de 2008 14:11
Para: dluis@iep.uminho.pt

Cc: todos@iec.uminho.pt; todos@ecum.uminho.pt; todos@eeg.uminho.pt; todos@eng.uminho.pt; todos@ics.uminho.pt; todos@iep.uminho.pt; todos@ilch.uminho.pt; todos@direito.uminho.pt; todos@arquitectura.uminho.pt; todos@ecsaude.uminho.pt; todos@ese.uminho.pt; todos@reitoria.uminho.ptAssunto: Re: Comunicado do DSEAE (¿Porqué tú no hablas?)

Mestre Daniel Luís

Não o conhecendo pessoalmente (imagino eu!?),nem lendo os seus blogs, nem as notícias dos jornais,fiquei sabendo (como toda a academia Minhota), pelos seus pares, que "... o procuravam proteger na sua dignidade profissional e no conteúdo funcional da sua actividade como educador,área objecto, nos seus textos, de inúmeras referências atentatórias da dignidade de professores, alunos e responsáveis políticos, ....", que o Mestre Daniel Luís "decidira, por sua inteira e exclusiva iniciativa,retirar também da net o blogue que vinha mantendo",após o Conselho do seu Departamento ter recomendado que "dada a natureza dos seus conteúdos [blogues] e o facto de pôr em causa a imagem pública do docente e do Departamento, será aconselhável que sejam retirados da net".

Sem contraditório, a comunicação destas eventuais referências atentatórias da (minha!?) dignidade de professor, que terão levado o Mestre Daniel Luís a retirar da net o blogue que vinha mantendo, mais do que esclarecer, confunde-me.

Por isso, e porque de Humor parece tratar o seu Blog ;-),permita que lhe invoque (sem qualquer justificação) aquela pergunta(¿Porqué tú no hablas?) dirigida por um Chefe de Estado (da Venezuela)a outro Chefe de Estado (da Colômbia), uns dias após o primeiro não ter ouvido uma outra, e bem mais conhecida, pergunta dum Rei (de Espanha), que também foi objecto de controvérsia e indignação nesta Universidade.

Porém, respeitando o seu silêncio, queria dizer-lhe que este nos conforta na perplexidade de nem ser o primeiro a atirar pedras, nem o último a esconder a mão!

Cumprimentos.
Joaquim Neves

Mensagem divulgada na rede electrónica da UM.

ESTOU SOLIDÁRIO COM O DANIEL LUÍS!

O comunicado do Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional, divulgado à Academia anuncia o propósito de “repor a verdade dos factos no que diz respeito às notícias divulgadas nos meios de comunicação social sobre os blogues do Mestre Daniel Luís”. A iniciativa e este propósito suscitam-me algumas reflexões que, manda a minha consciência de ser humano, cidadão e académico, sejam partilhadas com toda a Academia.

A noção de VERDADE, todos sabemos ser objecto de infindável discussão científica e filosófica. No âmbito dos fenómenos de natureza social, é particularmente complexa a noção de VERDADE.

Os conflitos podem ser vistas como consequência de diferentes perspectivas de VERDADE sobre os mesmos fenómenos, querendo cada uma das partes impor à outra a sua verdade. Neste caso, determinados factos são considerados CENSURA à liberdade de expressão por uma das partes e não o são por outra. Temos então uma situação de litígio que está bem patente aos olhos de todos nós.

Porém, não pode uma das partes ter a pretensão de ditar a última palavra, vindo a público “repor a verdade dos factos”. O DSEAE veio sim, dar a sua versão dos factos.

As partes em litígio podem dar o seu ponto de vista, apresentar argumentos, tentar persuadir das suas razões o maior número de pessoas. Mas esse jogo só é leal, com fair play, se nenhuma das partes está à partida em situação de vantagem sobre a outra. Neste caso, ambas as partes deveriam confrontar razões e argumentos na base de uma relação de paridade do ponto de vista de poder e de segurança laboral. Ora, neste caso está-se muito longe de verificar essa condição de fair play.

O colega Daniel Luís é um Assistente que tem garantidos apenas mais 18 meses de contrato. Alguém duvida que essa sua condição o torna muito vulnerável neste conflito? Todos reconhecerão esse facto. Ora aqui temos uma VERDADE!

Por outro lado, neste diferendo o Daniel Luís, tem como seus opositores, entre outros, Professores Catedráticos. Todos sabem que um Assistente está naturalmente fragilizado nestas circunstâncias, do ponto de vista das relações de poder. Alguém tem dúvidas quanto a isso? Aqui temos uma segunda VERDADE!

O colega Daniel Luís fez no seu blog um desmentido de afirmações antes proferidas.

A primeira questão que me faço é a seguinte:

- Será esse desmentido a sua VERDADE?

- Ou será antes a confissão de uma outra VERDADE ditada pelas circunstâncias de grande vulnerabilidade em que se encontra?

Quando alguém luta sozinho na adversidade, é parte incontornável da sua VERDADE pessoal a realidade subjectiva das convicções, do seu sentido de vida, das suas emoções e sentimentos mais profundos. Imagine-se a violência que alguém exerce sobre si mesmo ao tornar pública a negação dessa sua VERDADE?

É pois uma questão da maior importância saber se cada uma das partes dispões de iguais condições de meios e de liberdade para o exercício de afirmação da sua VERDADE, perante a academia, sobre os factos que estão na origem do diferendo que se tornou público.

O critério de VERDADE que aqui se impõe é o de saber se factos configurem o impedimento do livre exercício do direito de se ter como hobby um blog humorístico, ou se, pelo contrário, configuram um conjunto de falsas afirmações e de práticas lesivas do bom nome das pessoas e do departamento de que faz parte o Daniel Luís.

Chegados aqui é absolutamente claro e inequívoco que num Estado de Direito Democrático só uma entidade isenta e independente de qualquer das partes pode examinar os factos e formular juízo merecedor da aceitação geral: a VERDADE. E só um veredicto formulado em tais condições poderá merecer acolhimento pela consciência da Academia. O critério de mais poder ou maior número da parte de quem se opõe ao Daniel Luis não pode aqui entrar.

Para além do mais, o Estado de Direito Democrático não poderá deixar de oferecer ao colega Daniel Luís total garantia de que tem assegurado a continuidade da sua carreira académica, em condições de tranquilidade em bem-estar, para si e sua família, depois de tudo o que se tem passado. Tem esse direito legítimo, até prova em contrário.

Conheci pessoalmente o Daniel Luís e conversei acerca dele com pessoas que o conhecem. Precisava de saber por vários meios de quem se tratava. Garanto-vos que o Daniel Luís não é um tonto irresponsável. Vi nele alguém que tentou condicionar a sua consciência mas não foi capaz de o fazer: o grito interior foi mais forte do que a sua decisão racional. É uma pessoa inteligente e intelectualmente estimulante. É muito apreciado pelos alunos pela sua competência e pela boa disposição que imprime às suas aulas.

Nos tempos que passam, solidariedade não pode ser uma palavra vã. Publicamente declaro a minha SOLIDARIEDADE para com o Daniel Luís, face à situação dramática por que está a passar, qualquer que seja o ilícito que cometeu ou não cometeu.

Cordiais saudações académicas.

Joaquim Sá

Tomada de posição divulgada na rede electrónica da UM.