quarta-feira, 15 de julho de 2009

Liberdade de Expressão para DANIEL LUIS

Está em curso uma petição on-line, dirigida à Assembleia da República, em defesa da Liberdade de Expressão do colega Daniel Luis.

Pode ler e assinar em
http://www.peticao.com.pt/daniel-luis

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Perfil do novo Reitor!

O Conselho Geral tornou público o edital de abertura do período de candidaturas a Reitor da Universidade do Minho. E fá-lo com referência ao perfil desejável:

O Reitor deve ser uma personalidade de reconhecido mérito e experiência profissional relevante e possuir uma visão estratégica adequada à prossecução da missão e dos objectivos da Universidade, definidos nos termos estatutários.

Esperamos então um novo Reitor que se preocupe realmente com a "liberdade de pensamento e a pluralidade dos exercícios críticos", que promova a missão e objectivos da UM "no respeito pela dignidade da pessoa humana" e que promova na Universidade do Minho "os princípios da igualdade, da participação democrática, do pluralismo de opiniões e de orientações".

E espera-se mais: que o poder disciplinar seja exercido em referência aos “princípios da independência, do rigor e da honestidade intelectual, da responsabilidade, da ética do trabalho e no respeito pela dignidade humana.”

Tudo isto consta dos "termos estatutários" e temos que esperar/exigir que não sejam apenas figuras de retórica.

sábado, 4 de julho de 2009

"Não é de facto normal..."

Sobre o caso Daniel Luis, escreve o colega Jaime Gomes, Professor Catedrático da Escola de Engenharia:


Não é de facto normal não dar a um Assistente a possibilidade de ter mais um biénio para completar a sua tese. É no mínimo duvidoso que a anterior tomada de posição do Departamento não tenha influenciado a sua não aceitação desta prerrogativa dos Assistentes, que normalmente é um proforma.


Ver em
http://pralemdazurem.blogspot.com/


Veja também o vídeo de apresentação do livro

FACULTY INCIVILITY, The rise of the academic bully culture and what to do about it. Authors: Twale, D. J. & De Luca, B. M. (2008).

http://bulliedacademics.blogspot.com/2009/03/faculty-incivility-darla-twale-phd.html


segunda-feira, 29 de junho de 2009

De novo o caso DANIEL LUIS... que nunca deixou de o ser!

Em coerência com a linha editorial deste blog, bem expressa no respectivo título, aqui publiquei em 2008 dois posts alusivos à situação do nosso colega Daniel Luis: um em 4 de Março de 2008 (http://liberdadeuminho.blogspot.com/2008/03/o-caso-daniel-lus.html) e outro em 26 de Fevereiro de 2008 (http://liberdadeuminho.blogspot.com/2008/02/o-nosso-colega-daniel-luis-vive-uma.html). Acabo de consultar o blog do estimado colega Cadima Ribeiro (Professor Catedrático da Escola de Economia e Gestão), Universidade Alternativa, (http://universidadealternativa.blogspot.com/) e sobre este assunto leio um texto, sobre a situação actual do Daniel Luis, de que transcrevo o seguinte excerto:

Caros(as) Colegas,
Lembram-se de um caso envolvendo um assistente do IEP/IE que deu muita polémica na UMinho e fora dela entre o final do ano passado e o início do presente ano e que envolvia um blogue e questões de liberdade de expressão pessoal?
Pois bem, isto é, pois mal, soube-se entretanto pelos alunos que Daniel Luís, o assistente visado, tem despedimento aprazado para 7 de Setembro pf., decorrente da decisão unânime (???!) do Conselho de Departamento de lhe recusar o biénio para conclusão da tese.
(...)

Na altura do silenciamento do seu blog, o Daniel Luis foi recebido pelo Sr. Reitor, tendo-lhe sido assegurado que o Departamento estava a extravasar o âmbito das suas competências, ao reunir para decidir da não adequação do referido blog à sua condição de docente universitário.

Todavia o facto é que, depois dessa acção ilegítima e das múltiplas vicissitudes que se lhe seguiram, o Daniel Luis foi remetido ao completo isolamento, passou por fases em que tinha medo de frequentar o local de trabalho, vivia angustiado e caiu em depressão. Que condições humanas são estas para que alguém possa dedicar-se às suas actividades académicas, designadamente prosseguir o normal desenvolvimento do seu Doutoramento? Para uma melhor compreensão do enquadramento desta situação recomendo vivamente a leitura do artigo 24º do Código do Trabalho.

Segundo Leyman (1990):

Psychical terror or mobbing in working life means hostile and unethical communication which is directed in a systematic way by one or a number of persons mainly toward one individual. (…) These actions take place often (almost every day) and over a long period (at least for six months) and, because of this frequency and duration, result in considerable psychic, psychosomatic and social misery.

Segundo Davenport, Schwartz, e Elliot (1999) the ultimate goals of mobbing are to dominate, subjugate and eliminate.

E todavia, de acordo com os seus Estatutos, a Universidade do Minho i) preconiza a prossecução da sua missão “assente na liberdade de pensamento e na pluralidade dos exercícios críticos”, ii) realiza a sua missão e objectivos “baseada no respeito pela dignidade da pessoa humana” e iii) rege-se por “princípios da igualdade, da participação democrática, do pluralismo de opiniões e de orientações”. Palavras que o vento leva sem deixar rasto... como se vê.

A pergunta que não pode deixar de se fazer é esta:

COMO PODE A CONSCIÊNCIA DA ACADEMIA CONVIVER COM ESTA SITUAÇÃO?

Leia aqui um artigo conciso e fundamental, de apenas 7 páginas, da autoria do psicólogo sueco-alemão Heinz Leyman, que no início da década de 80 cunhou a disciplina científica workplace mobbing:

http://www.mobbingportal.com/LeymannV&V1990(3).pdf

Veja também Bullying of Academics in Higher Education:

http://bulliedacademics.blogspot.com/

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ensino Superior: Grande concentração em Lisboa no dia 3 de Junho

Colegas

É o momento de darmos tudo por tudo na defesa da nossa dignidade profissional, da estabilidade de vínculos e do direito à carreira.

Na próxima 4 ª feira, 3 de Junho , pelas 14 h 30 / 15.h , realizar-se-á em Lisboa uma GRANDE CONCENTRAÇÃO DE DOCENTES DO ENSINO SUPERIOR em apoio das posições assumidas pelas estruturas sindicais que intervêm no processo de revisão do ECDU e do ECPDESP.

Vão ser organizados transportes para facilitar a deslocação a Lisboa e participação na concentração de colegas de todas as instituições de ensino superior do país.

Aponta-se para que os colegas que querem participar na concentração, ou, em geral, manifestar apoio às estruturas sindicais, antecipem ou adiem as suas actividades programadas para 3 de Junho e que impliquem presença nas suas Escolas ou outros locais de ensino.

Os colegas que não consigam alterar a data das actividades programadas poderão deixar de as realizar ao abrigo de pre-aviso de greve enviado na passada terça feira ao Ministério de tutela, ao Ministério das Finanças e Administração Pública e ao Ministério do Trabalho, emitido exclusivamente para facilitar a participação na concentração.

A haver perda de remuneração, os associados do SNESup que participem na concentração serão compensados pelo Fundo de Greve e Solidariedade do Sindicato.

Estamos a acertar com as estruturas sindicais empenhadas em organizar esta concentração os vários aspectos de organização e a emissão dos respectivos textos.

O MCTES deixou passar a oportunidade para aproveitar a disponibilidade das estruturas sindicais para concertar soluções adequadas e constitucionalmente aceitáveis quanto a numerosos aspectos dos Estatutos, designadamente em matéria de regime transitório.

Não deixemos também nós, docentes do ensino superior , passar a oportunidade de dar força às estruturas sindicais que com o MCTES negoceiam em benefício de todos, nem de lutar por um futuro com mais estabilidade e por condições mais dignas do exercício da profissão.

Saudações académicas e sindicais

A Direcção do SNESup
em 31-5-2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A INFELICIDADE LABORAL

Frugalidade
29.05.2009, Joaquim Jorge, no Público

A vida tem de ter lugar para o lazer e não só para o trabalho: permitir a vida familiar, a amizade, a prática das artes.

Quantas pessoas vão cada dia trabalhar sentindo que o que fazem não tem sentido, não vale a pena, não é reconhecido ou não é reconhecido como deveria ser? As pessoas não se sentem realizadas. Centenas ou milhares? As pessoas estão despidas interiormente, a infelicidade laboral que nos leva a pensar que o trabalho é uma prisão, em que passam a maior parte do tempo a olhar para o relógio, o que fazem carece de sentido. (...) Cada um de nós revê-se facilmente em Sísifo, ao realizar pequenas rotinas do dia-a-dia, ao deparar-se com problemas repetitivos e inúteis, ao confrontar-se com o sofrimento, etc.

Estes pensamentos lembram-me outros. Por exemplo: que devemos trabalhar menos para viver melhor. Sou contra a busca obsessiva de "mais, mais e mais e cada vez mais". Outras gostam do que fazem, mas não como, nem com quem. Há sempre tanto para fazer que não há outro remédio que viver stressado. A tentativa das empresas para obterem lucros e benefícios não pode ter um crescimento perpétuo. (...) O objectivo é o poder aquisitivo que é enganoso e reduz as pessoas "à dimensão de consumidoras". Deve-se procurar mudar a organização e melhorar a repartição do trabalho. Não é aceitável que alguns empresários e administradores de empresas ganhem várias centenas de milhares de vezes mais do que o salário dos seus trabalhadores. Deve ser permitido às pessoas terem uma vida mais equilibrada e que dê lugar ao lazer e não só à vida laboral: que permita a vida familiar, a participação na comunidade onde vivemos, a vida associativa, a prática de artes, a actividade política, o cultivo das amizades, etc.

(...) O excesso de crescimento interfere nas condições ambientais, sociais e humanas. Devemos anteciparmo-nos e mudar de direcção. Se não o fizermos, será a recessão contínua e o caos. Temos de crescer em humanidade, tendo em conta todas as dimensões que constituem a riqueza humana. É preciso acabar com a ideia que crescimento é progresso e a situação sine qua non de um desenvolvimento justo.(...)

Devolver o protagonismo às pessoas e o espírito crítico frente ao modelo dominante "mais, mais e mais e cada vez mais". Substituir um crescimento estritamente económico por um "crescimento em humanidade". É um desafio que se deve tentar. E por vezes não fazer nada, para começarmos a fazer aquilo de que gostamos e nos dá prazer.
Biólogo. Fundador do Clube dos Pensadores (jota.jota@sapo.pt)

Comentário:

Nas universidades há pessoas felizes, mas há também uma grande dose de infelicidade laboral. Existe a infelicidade de se fazer uma imensidão de coisas rotineiras e pouco relevantes, porque "tem que ser", porque o emprego depende da quantidade de coisas que fazem parte de uma lista a que se chama currículo. A expressão "fazer currículo" sugere a ideia de currículo como um fim em si mesmo, quantas vezes desligado de uma actividade genuinamente relevante e pessoalmente significativa. A pressão é grande e por isso desenvolvem-se certos expedientes para acrescentar "mais uma linha no currículo", como se diz.

E há também a infelicidade de não se ser capaz de "digerir" essa forma de estar, dos que preferem fazer aquilo em que acreditam interiormente, em vez de entregarem a sua vida a desígnios destituídas de sentido para si - por isso resistem.

Em ambos os casos há muito atrito, logo, uma grande dose de energia dissipada: energia utilizada de forma não produtiva, sem possibilidade de ser reutilizada, ou seja, energia desperdiçada.

A noção de produção/produtividade científica soa frequentente a coisa muito estranha. Por exemplo, um trabalho de grande fôlego que precise de uns 3 anos para vir à luz do dia, é no final "apenas" uma publicação, depois de 3 anos não produtivos (o autor poderá eventualmente vir a publicar depois de despedido). Mas 3 anos com muitos pequenos fragmentos de investigação científica publicados é uma grande produção.

Será que é no afã de uma produtividade métrica que as grandes ideias encontram terreno fértil para emergirem, se elaborarem e resultarem em realizações científicas/humanas de grande relevo? As ideias frescas requerem o tempo e a serenidade de espírito que são cada vez mais escassos.

E o que é que os grandes desafios de hoje nos pedem? Investir no que nos está imediatamente à frente do nariz ou no que tenha um horizonte de mais largo alcance?

Maior felicidade laboral nas universidades passará certamente por maior espaço para a diversidade de estilos e filosofias de vida académica: o pendor de mais curto prazo de uns não deverá ser incompatível com a protensão reflexiva e de mais longo prazo de outros. E assim se cumprirá melhor a função da Universidade.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Novo Ciclo que continua adiado na UM!

[Se o Reitor não se demitir]... temos um intervalo de mais de um ano, entre a eleição do órgão que elege o reitor e o acto em si de eleição do reitor, por este órgão. Será que o reitor não compreende isto? Será que não percebe que já não tem o apoio da Academia? A própria lista que se dizia "do reitor" demarcou-se dele no período eleitoral! Talvez por perceberem isso mesmo, que não interessava estarem associados a quem não tinha o apoio da Academia...O facto é que não é justo para a Academia que se adiem as decisões urgentes a tomar nos próximos tempos.
Jaime Gomes