quarta-feira, 19 de março de 2008

As Associações Académicas, o UMjornal e o UMdicas!

O QUE SÃO HOJE AS ASSOCIAÇÕES ACADÉMICAS? perguntei num dos posts anteriores.

O estudante de Direito Jorge Sousa dá a sua opinião em http://ohnaoehagora.blogspot.com/. Transcrevo alguns excertos do que escreve:

A taxa de abstenção das últimas eleições para a AAUM parece-me um bom ponto de partida. 85% e um presidente, candidato único e a renovar o mandato, satisfeito com esses números (não tenho uma ideia exacta, mas estudarão 15000 alunos na UMinho?). As conclusões imediatas são o total alheamento dos estudantes. Mas quais as causas?

Entre várias interrogações refere:

Será por os dirigentes máximos serem aqueles que se arrastam no curso ou se deixam arrastar, de propósito, para poderem "assaltar" essa posição de destaque? E assaltar será um exagero, pelos últimos largos anos, a AAUM tem sido praticamente uma monarquia: uma sucessão dinástica.

E enumera várias causas a que as AA deveriam dar atenção, concluindo:

E muito mais haveria por onde se pegar. No mínimo, exigia-se que cada uma dessas causas tivesse tido uma resposta ao nível da que a antiga direcção do "Académico" teve quando esta foi demitida pela direcção da AAUM - decisão mais tarde considerada ilegal pelo conselho fiscal - e que acabou por gerar um protesto com alguma visibilidade. [Digo eu: colegas, nós andamos muito distraídos em relação a uma determinada realidade. Por favor, leiam os links a azul; é muito elucidativo do plano inclinado para vamos todos sendo arrastados - os mesmos padrões de actuação em diferentes tabuleiros da Academia].

Sobre se AAUM prossegue os interesses dos estudantes escreve:

A AAUM é claramente: o "Enterro", a "Gata na Praia", a "Semana da Euforia" ou a "Latada" - as festividades. E respondendo directamente a uma das perguntas do professor: Não, é evidente que a AAUM não prossegue os interesses maiores dos estudantes.

Uma das consequências de Bolonha:

Notam-se muito menos iniciativas neste ano que ainda vai a meio. Não da AAUM, essa continua sensivelmente na mesma. É o "pequeno" associativismo - quer na forma de núcleos, quer na forma de associações de estudantes de cada curso - que está a pagar. Quando realizar iniciativas? Quando arranjar tempo para as organizar, fazer os convites, publicitar? Quando é que as pessoas que não as organizam têm disponibilidade para as frequentar?


Meu comentário:


1.
Em minha opinião, muito bem a referência ao "pequeno associativismo", independentemente de outras considerações. É ao nível da microestrutura que se tece a vitalidade de uma comunidade, de uma organização, de um sistema. A visão macro, sem a complementaridade de um enfoque micro é um vício do qual dificilmente se obtêm bons resultados. Veja-se o caso do sistema de ensino. Pos mais análises genéricas que se façam, a qualidade do ensino nas nossas escolas dificilmente melhorará sem políticas que levem os professores a acreditar que o que conta verdadeiramente é a sua acção dentro da sala de aula.

2.
O episódio da demissão da antiga direcção do "Académico" faz-me lembrar o sucedido com o UMjornal… A sua Direcção não teve que ser demitida. O jornal simplesmente foi extinto.

Mas temos o UMdicas… do SAS, dirigido por um funcionário não docente, onde se pode mal-tratar docentes e tentar influenciar decisões de política geral da Academia num determinado sentido. Muito bizarro para uma folha que, em conformidade com o âmbito de competências dos SAS, fixadas por lei, teria que confinar o seu conteúdo a cantinas, bares, bolsas de estudo, residências, desporto universitário, etc. - o que está na lei.

Mais bizarro ainda: o Senado divide-se e não sabe o que fazer com a conduta do UMdicas! A notícia da polémica continua lá on-line em http://www.dicas.sas.uminho.pt/uploads/UMDicas56.pdf , uma provocação continuada e uma demonstração de falta de decoro institucional.

Apetece-me repetir o mesmo apelo de há algum tempo correu na UM:

- Não há quem tire aquilo de lá [a "notícia"]?

Quem porventura esteja a pensar numa atitude solidária da minha parte, esqueça. Já não é disso que se trata - já o fiz. Vejo com muita estranheza que isto se esteja a passar nesta Universidade. Começa a haver falta do mais elementar bom-senso aos olhos de obervadores externos. Parece que estamos a perder a noção da realidade.

A minha indignação tem como objectivo primordial a defesa da Universidade do Minho.

terça-feira, 18 de março de 2008

HOJE MAIS DO QUE NUNCA: EXPANDIR A POTÊNCIA DE VIDA!

Segundo José Gil

"É o medo que nos tolhe e, directa ou indirectamente, nos inibe de expandirmos a nossa potência de vida, e mesmo a nossa vontade de viver.

Enquanto dispositivo mutilador do desejo, o medo dispõe à obediência. Amolece os corpos, sorve-lhes a energia, cria um vazio nos espíritos que só as tarefas, deveres, obrigações da submissão são supostos preencher. O medo prepara impecavelmente o terreno para a lei repressiva se exercer."


São difíceis os tempos que hoje vivemos no País e na Universidade. Não nos deixemos tomar pelos fantasmas que nos toldam o discernimento e desfalecem energias, deixando-nos à mercê de um sopro que nos faz tombar.

Sacudamos os corpos tolhidos, levantemo-nos na direcção da luz, tenhamos no espírito uma visão clara, não desistamos de SER.

Não nos limitemos a esperar pelos acontecimentos, sejamos actores dos acontecimentos.

Isso é transformar os tempos sombrios de hoje em dias promissores.

Isso é esperança!

ISSO É EXPANDIR A POTÊNCIA DE VIDA!

A aluna Vanessa responde ao post sobre as AAEs

Professor a AAUM são todos os alunos da UM, e como em tudo na vida há quem participe e quem simplesmente nem se dê ao trabalho de tentar entender qual a função desta associação.Eu pessoalmente sou colaboradora da AAUM desde que ingressei nesta Mui Nobre Academia, e penso que serve inteiramente os interesses dos alunos, porque ao contrário do que se possa pensar a AAUM não é somente a gata na neve, a gata na praia, o enterro da gata ou a recepção ao caloiro. Não nos podemos esquecer que é um órgão com assento no senado académico que de tudo faz para ir ao encontro das necessidades dos estudantes. É quem dá formação aos delegados, que se preocupa em introduzir no acolhimento dos novos alunos actividades em educação não formal e que nesse domínio é um exemplo para as restantes academias do pais. Isto é somente um pedacinho do trabalho desenvolvido. É verdade que há ainda muito a melhorar, mas até para isso temos trabalhado, por exemplo com a criação do gabinete de formação e qualidade. É com muito orgulho que afirmo ser parte activa nesta associação. Mas também é verdade que concordo com o colega Jorge Sousa na medida em que pelo menos no que conheço, por vezes não é dada voz aos estudantes, ou melhor deixam os estudantes falar mas não são levados muito em contae quando têm a ousadia de falar, por muito educadamente que falem são "silenciados" ou pior ainda prejudicados por exepressarem a sua opinião, ou por querem somente aceder aos seus direitos. Infelizmente muitos docentes ainda são do tempo "eu quero posso e mando." Não receio dizê-lo porque todos nós sabemos que esta é a verdade e os próprios docentes que têm estes comportamentos estão conscientes do seu erro. Mas como nem tudo é mau também tenho orgulho de pertencer À MELHOR ACADEMIA DO PAÍS e de a maioria dos docentes com quem já tive aulas sejam pessoas fantásticas que se preocupam efectivamente com os seus alunos.

segunda-feira, 17 de março de 2008

O que são hoje as Associações Académicas?

Por sugestão do colega Cadima Ribeiro no seu blog Universidade Alternativa (http://universidadealternativa.blogspot.com/) fui espreitar o blog Oh Não! É Agora! (http://ohnaoehagora.blogspot.com/) do jovem estudante de 22 anos, Jorge Sousa. Prendeu a minha atenção o seu post de 8/03/08, que se reporta a uma notícia do comUM em que um docente participante no último encontro de bloggers fala de um ambiente persecutório e afirma que…

“É muito perigoso expressar a opinião na blogosfera!”

Transcrevo um excerto do que escreve o estudante:

Pois, será. Mas em primeiro lugar faltará perguntar porque é que não existem mais blogs de estudantes, sobre a universidade - estudantes que são uma massa muito mais numerosa do que a dos docentes. Faltará reflectir seriamente sobre se é perigoso ou não, um estudante expressar abertamente, tal como estes docentes muito bem o fazem, não só em blogs, mas por qualquer meio. É inegável que existe bastante receio por parte dos estudantes de se expressarem, mesmo que fundamentadamente, em nome próprio, (…)

Se formos mais a fundo, para além desta opressão silenciosa - e admito que, para muitos, ela existirá inconscientemente, sem má fé -, isto leva a que não exista motivação para pensar. Motivação para discutir. Eu conheço essa Universidade de a ouvir em histórias, do tempo de Coimbra da pré-revolução, tempo que alguns dos docentes conhecerão em primeira mão. Hoje, a universidade, na perspectiva dos alunos, limita-se a ser um mero local onde se tem aulas e se fazem os exames.

Meu caro Jorge daqui vai um abraço pela sua lucidez e coragem.

Compreendo o seu desencanto pela falta de participação cívica e de mobilização dos estudantes para transformar a instituição e a sociedade. E isto leva-me á interrogação:

O que são hoje as Associações Académicas?

Em tempos idos as Associações Académicas eram independentes de qualquer poder, tinham uma ligação forte e genuína com a massa estudantil, eram verdadeiras escolas de formação cívica e democrática.

E hoje o que são?

O que é a AAUM?

É realmente representativa dos estudantes?

Os jogos de poder em que se envolve regularmente tem a ver com os interesses dos estudantes?

E ao chegar ao fim deste post tomo consciência de algumas palavras-chave alusivas ao ambiente académico: perigoso, receio, coragem, opressão silenciosa, ambiente persecutório... Isto não cheira a Democracia (no País, entenda-se) e muito menos a Liberdade.

sábado, 15 de março de 2008

UMA CERTA VISÃO DA REFORMA...

Em 10/03/08 a direcção do SNESup divulgou o seguinte comunicado:

OS QUADROS JÁ NÃO EXISTEM
Colegas:


Por força da publicação da Lei nº 12-A/2008, de 27 de Fevereiro (Lei dos Vinculos, Carreiras e Remunerações), os quadros deixaram de existir desde a sua entrada em vigor isto é, desde 1 de Março, considerando-se revogados os diplomas que procederam à sua criação. Em seu lugar são criados "mapas" que incluem já não "lugares" mas sim "postos de trabalho"

http://www.snesup.pt/htmls/_dlds/Lei_12_A_2008_LVCR.pdf


Embora, dadas as peculiariedades do sistema de vínculos do ensino superior, se vá tornar necessária a introdução de clarificações por via legislativa, possivelmente em sede de revisão dos estatutos de carreira:

- a situação laboral de cada docente ou investigador passa a definir-se em função do vínculo e da categoria, ou seja, a situação que até agora só se verificava com os professores auxiliares de nomeação definitiva (nomeação sem lugar de quadro) até agora invulgar, passa a ser a regra geral para as três categorias de professores;

- o mapa, em que deverão figurar os postos de trabalho de todas as categorias e carreiras, é revisto anualmente aquando da preparação do Orçamento do Estado, podendo vir, em função da decisão que o Governo tome, também anualmente, a conduzir em cada organismo público ou instituição, à admissão / promoção de pessoal ou pelo contrário, à cessação de contrato ou passagem a mobilidade especial.


Nenhuma entidade empregadora privada goza em Portugal de uma margem de manobra tão grande como aquela que vai ser atribuída ao Estado por esta Lei, que quase se diria ter-se inspirado na situação criada nos últimos anos a algumas instituições universitárias e a muitas instituições politécnicas.

O SNESup apela ao estabelecimento de uma cooperação bastante estreita entre as instituições de ensino superior público e as associações sindicais por altura desta negociação anual de verbas e de mapas de pessoal.


É certo que, com o fim dos quadros, e em condições económicas mais favoráveis, poderá ser mais mais fácil desbloquear promoções. A negociação da revisão dos estatutos de carreira deve criar, como vimos propondo, uma Via Verde para o Mérito.


Saudações académicas e sindicais

A Direcção do SNESup

Comentário:

Tendo em perspectiva esta política de "mapas de postos de trabalho", por certo um projecto de ensino "inovador, de grande interesse e oportunidade" e de "muito mérito" (nos termos de diferentes pareceres), recentemente aprovado na UM e registado na DGES, seria merecedor de empenho e zelo institucional na sua concretização. Tendo a seu favor a mais valia de contribuir para a realização de objectivos políticos do Ministério da Educação, mais justificado seria o bom acolhimento institucional. Se assim não é que estranhos interesses aproveitam da obstrução a tal projecto?

sexta-feira, 14 de março de 2008

Filomena Mónica escreve sobre Daniel Luís!


(...) Há uns meses, a London School of Economics censurou um docente que nas horas vagas se entretinha, através de um blogue, a denegrir a instituição, declarando que ninguém ali se deveria matricular, visto os professores serem uma cambada de tontos. Neste caso, percebo a indignação dos responsáveis. Mas não foi isto que se passou na Universidade do Minho, a qual, pura e simplesmente, se arrogou o direito de exercer censura. (...)


Artigo de Filomena Mónica em

Comentário

Na ausência de mecanismos eficazes de auto-regulação institucional é esta a imagem que damos de nós para o exterior.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Encontro de bloggers na UM: veja o CANAL UP

Veja no CANAL UP as 2 reportagens sobre o Encontro de Boggers realizado na UM, no passado dia 10/03/08.

http://www.canalup.tv/videoplayer.php?id_video=1037

http://www.canalup.tv/videoplayer.php?id_video=1045