quinta-feira, 10 de julho de 2008

Matemática 9º ano: 2007 - 72,8% negativas; 2008 - 44,9% negativas. Quem não se alegra com mais sucesso?

Notícia do Públio-on line:10.07.2008 - 21h59 Isabel Leiria

Negativas na prova de Matemática do nono ano caem quase 40 por cento num ano.

Depois do sucesso no exame nacional de Matemática do 12.º ano, com a média nacional dos alunos internos a disparar para os 14 valores (em 20), agora foram os alunos do 9.º que revelaram uma melhoria muito significativa em relação à prova de 2007. A percentagem de negativas caiu de 72,8 por cento para 44,9 por cento, o que significa que há menos 38,3 por cento de notas negativas face à prova de 2007.

Em comunicado, o Ministério da Educação (ME) sugere algumas explicações para esta evolução. A saber: o “esforço dos professores e alunos” e os “instrumentos de apoio”. “Os alunos que agora fizeram exames trabalharam pelo segundo ano consecutivo no contexto do Plano de Acção para a Matemática”, lembra o ME.

Este programa, estreado em 2006 nas escolas básicas com 2.º e 3.º ciclo, não deu quaisquer frutos em termos de resultados nos exames nacionais no ano passado. Em 2007 aconteceu mesmo o pior resultado de sempre, com quase três em cada quatro alunos a chumbar na prova.

Mas para os professores da disciplina existem outras razões que podem explicar o sucesso deste ano, que se traduz numa duplicação das positivas. Tanto a Associação de Professores de Matemática (APM) como a Sociedade de Professores de Matemática (SPM) consideraram, no dia em que foi conhecida a prova, que o exame tinha sido o mais fácil de sempre (foram estreados em 2005).

“Em todos os casos os conceitos avaliados são simples e testados com exemplos demasiado elementares”, apontou a SPM em comunicado, acrescentando que havia questões que podiam ser resolvidas por alunos do 2.º ciclo e até do 1.º (até ao 4.º ano) e que de fora tinham ficado tópicos “importantes do 9.º”, como equações e polígonos. A APM fez um comentário semelhante e escreveu que, sendo muito provável que os resultados venham a ser melhores face aos dos anos anteriores, tal não significará necessariamente que “existiu uma melhoria nas aprendizagens dos alunos”.

Esta alegada maior facilidade poderá ajudar a explicar o facto de a percentagem de notas de nível 5 (a mais alta) ter subido de 1,4 por cento para 8,3 por cento. As classificações equivalentes a Bom (nível 4) dispararam de oito por cento para 21,4. A que se juntam 25,5 por cento de Satisfaz. Tudo somado, houve mais alunos a ter positiva do que negativa a Matemática. A classificação mais baixa de todas (nível 1), por exemplo, foi atribuída a apenas 3,3 por cento. Em 2007, foram 25 por cento a ter esta nota.

O director do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), organismo responsável pela elaboração das provas, sempre rejeitou estas críticas e alegou que o exame tinha sido “muito claro”, o que fez com que “a leitura fosse mais simples, mesmo quando as questões eram mais complexas”. Além disso, a prova contou com mais meia hora de duração em relação aos anos anteriores.

Comentário:


Esta política do "sucesso" é um insulto à inteligência das pessoas, uma falta de decoro total. Chegados aqui haverá alguma coisa que possa ser levada a sério na actuação do Ministério da Educação? O que não é para levar a sério não merece a consideração de um crítica séria. Como cidadão, sinto revolta, indignação e impotência ...


segunda-feira, 7 de julho de 2008

A reeleição da lista dos funcionários não docentes – OBRIGADO PELO VOSSO EXEMPLO!


No passado dia 26/06/08 a Comissão Eleitoral divulgou a eleição dos representantes dos funcionários não docentes para o Senado e a Assembleia da Universidade, a saber: a) para o Senado - Albano José Dias Serrano, Amaro António M. Rodrigues, António Ovídio M. Domingues, Maria Fernanda Teixeira Ferreira; b) para a Assembleia - António José Teixeira Sousa, José Emílio Palmeira, Maria Emília Sampaio C. Rodrigues, Maria Fernanda Teixeira Ferreira, Maria José Lage Alves, Mauro Miguel Moutinho P. Fernandes. Nada de especialmente relevante haveria nesta informação se estivéssemos simplesmente na presença de uma eleição, a que concorreram duas listas, tendo uma sido derrotada (Unir a Academia) e outra saído vencedora. Mas foi muito mais do que isso o que aconteceu.

Num primeiro momento da eleição dos representantes dos funcionários não docentes a única lista candidata foi rejeitada por uma maioria de votos brancos. Esse facto não foi notícia, e eu soube disso já algum tempo depois. Confesso que não conhecia até então algo semelhante. De um modo geral, em qualquer eleição a que se apresenta uma única candidatura, esta acaba por ser eleita, sendo frequente lamentar-se a reduzida participação eleitoral, bem como e a fragilidade do mandato dos eleitos, em tais circunstâncias. Situações que revelam um elevado grau de alheamento em relação ao processo eleitoral. Não foi esse o caso daquela eleição. Fiquei pois perplexo com a força de afirmação da vontade e do sentir dos funcionários, expressa naqueles votos brancos.

Procurei entender melhor o fenómeno. Que tipo de lista suscitava tanta rejeição? Porque não se teria constituído uma lista alternativa, capaz transformar o protesto dos votos brancos em votos de apoio a essa alternativa?

Obtive duas respostas simples:

a) a lista era promovida e constituída por certas chefias que nos últimos anos foram nomeadas pelo Sr. Reitor;

b) o clima existente entre os funcionários, resultante de certas formas de exercício do poder, inviabilizou a possibilidade de se constituir uma lista alternativa

Não tendo sido eleitos os representantes dos funcionários, organizou-se novo acto eleitoral. A força dos votos brancos tornou inevitável a constituição de uma lista alternativa que, sem surpresa, ganhou as eleições em 28/03/07. Mas o que estava em jogo parecia demasiado importante para quem as tinha perdido: a lista e os poderes que a apoiavam. Foram pois as eleições impugnadas judicialmente por causa dos cadernos eleitorais - que na eleição anterior não tinham qualquer problema -, envolvendo processos muito pouco edificantes. O juiz anulou as eleições e deu um prazo de três meses para repetir o acto eleitoral. Mas havia muita pressa e, no dia seguinte à decisão do Tribunal, o Sr. Reitor decidia o afastamento dos funcionários eleitos dos órgãos a que pertenciam.

A repetição das eleições ocorreu no dia 25 de Junho, tendo sido reeleita a mesma lista de funcionários, face a uma outra lista que pretendia Unir a Academia. No dia 26, os funcionários eleitos divulgam um comunicado de que transcrevo um excerto:

Registamos, com apreço, o facto dos funcionários terem confirmado, de forma inequívoca, o sentido de voto manifestado na eleição de 28 de Março de 2007, conduzindo, deste modo, à nossa (re)eleição.

Ficou, assim, não só claramente legitimada (para quem a questionava) a nossa participação nos órgãos colegiais de governo da Universidade, como se confirmou que os resultados antes verificados não foram fruto do erro e do acaso, mas sim de uma vontade esclarecida e responsável do corpo de funcionários da Universidade.

Entendemos ainda esta votação como a expressão da confiança e apreço em nós depositados, pelo trabalho desempenhado não só nos órgãos de governo, como no nosso quotidiano, com seriedade e independência, norteados apenas pela defesa dos interesses dos funcionários e da Universidade do Minho.

Ao longo dos últimos meses, regemo-nos sempre por um sentido institucional, em que procuramos preservar, acima de tudo e em diferentes instâncias, a imagem e a credibilidade da Universidade, sentido este que, a nosso ver, com pesar, não foi por todos compartilhado.

São palavras de uma grande dignidade, serenidade e sentido de serviço institucional, no momento em que finalmente fazem vencimento os seus valores e princípios, bem como a sua capacidade de interpretarem o sentimento profundo e a vontade do corpo de funcionários não docentes.

O que é de uma grande indignidade em tudo isto são as tentativas do poder em sonegar ao corpo de funcionários não docentes o legítimo direito de terem nos órgãos de governo da UM aqueles que os representam. É profundamente deplorável que se tenha pretendido calar a voz dos funcionários, afastando os seus representantes. Só a coragem, a determinação e a clarividência dos funcionários eleitos impediu que tal desiderato se tenha consumado. E com isso ganhou toda a Academia. Ganhámos todos, funcionários docentes e não docentes.

MUITO OBRIGADO PELO VOSSO EXEMPLO!

sábado, 5 de julho de 2008

Os nossos jovens já são bons a Matemática mas muito maus a Português!

Evolução das médias a Matemática A do 12º ano:

2004: 8,8
2005: 8,1
2006: 8,1
2007: 10,6
2008: 14

As notas dos exames nacionais de Matemática A foram as mais altas de todas as disciplinas, atingindo uma média de 14 valores. A percentagem de chumbos desceu de 18 para sete por cento. Por oposição, os resultados de Português foram os piores dos últimos 12 anos.

Notícia do Público: 5/7/08

Comentário
:

A receita para o sucesso escolar está encontrada. Basta agora aplicar às outras disciplinas a mesma filosofia de avaliação que conduziu ao sucesso na Matemática. Teremos assim em 2-3 anos o milagre-maravilha de termos passado de um sistema de ensino atrasado para um sistema de ensino de superior qualidade. Quando os estudos comparativos internacionais disserem o contrário, logo se verá como descalçar a bota. Para já, enquanto o pau vai e vem folgam as costas. No imediato, para efeitos de política interna, o que interessa é a aparência de que o ME está a superar o tradicional insucesso em Matemática. Mas o ME criou para si e para os cidadãos um grande dilema: qual é afinal o critério aferidor da qualidade das suas políticas? As boas notas na Matemática ou o estrondoso fracasso no Português?

Agora a sério:

As pessoas que pensam estes problemas e que sinceramente, de boa-fé, têm contributos para dar (sociedades científicas, académicos, associações de professores, etc), em nome do interesse geral do País, já perceberam que as suas ideias e críticas contam apenas com o desdém e o desprezo do poder. Tudo isto é de uma arrogância desmedida e de uma grande falta de respeito, para que alguém se sinta motivado para um trabalho de séria reflexão e análise cujo destino é chacota politiqueira. É um sentimento terrível que vai privando o País do relevante contributo da massa crítica de que dispõe, na abordagem dos problemas da educação.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

DE VENTO EM POPA PARA O “SUCESSO” ESCOLAR - o ilusionismo que nos amarra ao atraso endémico


A minha filha fez exame de Matemática A do 12º ano. Preparou-se intensamente de tal modo que eu achei por bem recomendar-lhe, por várias vezes, que fosse para a rua arejar um pouco. Ao chegar a casa, depois do exame (23/06/08), disse-me que esperava tirar 20, mas antes que eu rejubilasse com a notícia, logo acrescentou que a prova era muito fácil, que uns 3 ou 4 colegas também esperavam tirar 20, que não havia nenhuma questão que distinguisse aqueles que estudaram razoavelmente a matéria daqueles que pudessem ir “um pouco mais além”, que tinha feito em três horas um exame que nos testes da escola se faz em 90 minutos, que tinha feito calmamente o exame por duas vezes e concluiu, com frustração, que “para isto não precisava de se ter matado a estudar”. No dia do exame à tarde, no Público on-line, alunos do Colégio Valsassiana, (sempre bem colocado nos ranking das escolas), davam testemunhos que iam no mesmo sentido.

Ora, todos os professores têm a noção de que a tendência natural dos alunos é queixarem-se das dificuldades das provas que vão realizando ao longo do seu percurso escolar, mesmo quando honestamente reconhecem que o esforço de superação das dificuldades é da natureza de qualquer processo de aprendizagem. Portanto, quando há alunos que se manifestam frustrados por considerarem demasiado fácil um determinado exame nacional, da responsabilidade do Ministério da Educação, manda o bom-senso que os tomemos a sério e que se tenha na conta de um aviso o sentimento de injustiça que manifestam, face a uma prova que não lhes reconhece o mérito e o esforço.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Matemática, "a prova comporta um grande número de questões de resposta imediata e elementar, não aferindo conhecimentos matemáticos importantes (...). Confirma-se a tendência já patente no exame nacional do 9 ºano, da semana passada, em propor exercícios que correspondem aos primeiros exemplos usados para introduzir as noções." E acrescenta: “O padrão utilizado pelo G.A.V.E. para avaliar o desempenho dos alunos não permite distinguir aqueles que efectivamente trabalham dos que pouco trabalham, e não ajuda os professores a incentivarem os alunos a aprofundar os seus conhecimentos.”

Concordo que esta orientação encerra em si uma mensagem indutora de uma dupla desmotivação: a dos alunos para o esforço de um sucesso efectivo e a dos professores para promoverem esse esforço nos alunos. Motivar os alunos para o esforço de um trabalho exigente é cada vez mais complexo e difícil.

No actual panorama de desânimo e impotência que reina entre os professores, os sinais que são dados no sentido da desresponsabilização em relação ao essencial “liberta-os” para a burocracia e o controlo a que estão sujeitos nas escolas. E quem na sua integridade profissional não é capaz de fazer essa opção, inquieta-se, divide-se entre a sua consciência e a pressão externa, enfim, sofre. (Um dos traços mais marcantes da actual conjuntura da política educativa é o risco de degradação da identidade profissional dos professores.)

Segundo a Sociedade Portuguesa de Química, no exame de Física e Química A do 11º ano há questões demasiado elementares que "exigem apenas que o aluno saiba ler um texto ou os eixos de um gráfico", não precisando "sequer de ter grandes competências a nível da interpretação".

A tudo a Sra. Ministra da Educação responde que é demagogia, que certas pessoas acordam pela manhã mal dispostas e se lembram de dizer que os exames são excessivamente fáceis. Regozija-se com os 90 % de alunos com positiva a Português e 82 % com positiva a Matemática, apontando-os como consequência das políticas seguidas pelo Governo, que terão permitido enorme recuperação. Para as tais provas de Português e de Matemática, recomenda a Directora Regional do Norte que não sejam corrigidas por professores que dão notas “fora da média” [leia-se abaixo da média], porque “os alunos têm direito ao sucesso”.

A fórmula para o sucesso não é pois a competência dos professores e o trabalho dos alunos. O sucesso é um direito universal, tendencialmente garantido a todos por igual. E a nova fórmula para o sucesso são os exames com um grau de dificuldade adequado ao "sucesso" e critérios de correcção em conformidade.

Não sei se a Ministra da Educação já tem preparado o discurso quando vierem a público os resultados do próximo estudo PISA, que avalia os jovens de 15 anos em literacia em matemática, em língua materna e em ciências. Aí não será o ME a fazer as provas, nem há margem para "adequar" os critérios de correcção - isso será um sério obstáculo ao sucesso.

Se pudéssemos tomar a sério a teoria do sucesso que vem ganhando terreno, seria de esperar uma grande “recuperação” dos alunos portugueses, no próximo estudo internacional de literacia. Mas, bem podemos esperar sentados: nada de parecido acontecerá. Afirmo sem qualquer hesitação que continuaremos bem no fundo da escala, no conjunto de cerca de 30 países.

Não tenho vocação para profeta da desgraça. Afirmo-o com o conhecimento que tenho da realidade e com o conhecimento dos processos de transformação da realidade educativa que promovo e investigo.

Desculpem caros leitores a presunção desta minha certeza… Concedam-me antes o benefício de admitirem que me move a ambição e a convicção de que é possível sairmos do fundo do poço, em termos da qualidade das aprendizagens das nossas crianças e jovens.


PS.:
Ao nível da UM espero bem que a taxa de sucesso escolar acima dos 75% prevista no QUAR (Quadro de Avaliação e Responsabilização) não me imponham a desresponsabilização, obrigando-me, porventura, a baixar ainda mais a bitola dos meus critérios de avaliação. Não tenho aspirações a ganhar o prémio da "Responsabilização" deste novo paradigma do sucesso estatístico.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

POR UMA UNIVERSIDADE QUE NOS ENGRANDEÇA

O Grupo de Reflexão sobre a Universidade do Minho (GRUM), tendo acompanhado, desde o primeiro momento, o processo de elaboração dos estatutos da Universidade, oportunamente manifestou a sua preocupação quanto aos termos em que o debate estatutário vinha decorrendo e à ambição posta na reformulação da estratégia da Instituição e do seu modelo de organização e de governo.


Empenhados que estávamos em contribuir para o estabelecimento de um modelo de governação da Universidade do Minho que a qualificasse e a projectasse nacional e internacionalmente, manifestámos a nossa convicção, ditada pelas vivências pessoais e pela reflexão mantida, de que reformar a Universidade era mais que fazer a simples acomodação das estruturas e modelo de governação existentes ao que aparecia disposto no RJIES.


Em particular, sendo nosso entendimento de que o Conselho Geral era(é) uma peça essencial para o sucesso da reforma em curso, empenhámo-nos em ver consagrados nos estatutos da Universidade os instrumentos que lhe assegurassem relevância estratégica e um funcionamento ágil.


Terminada que está a elaboração dos estatutos, apraz-nos constatar a utilidade da nossa intervenção, com expressão no acolhimento final pela Assembleia Estatutária de alguns dos princípios que emergiram na reflexão que animámos, nomeadamente no que se refere ao número de membros do Conselho Geral, e a alguma flexibilidade organizacional e eficiência na gestão de recursos supostamente visadas, atentos ao que aparece enunciado nos estatutos propostos para homologação.


Empenhados que estivemos e estamos no sucesso da reforma do ensino superior nacional, só ainda esboçada, e no sucesso da Universidade do Minho, em particular, entendemos entretanto que esta não é a hora de abandonar o debate e o labor em favor de uma Universidade renovada na sua forma de funcionamento e nos seus desígnios em termos de oferta de formação, de produção de conhecimento científico e tecnológico e de interacção com o meio, nas dimensões extensão universitária e animação cultural. Essa acção far-se-á fora do contexto deste Grupo de reflexão, que esgotou as virtualidades que estiveram na base da sua criação.


É para este labor e para a construção deste projecto de afirmação da Universidade do Minho que, nesta hora, nos atrevemos a convocar a comunidade académica minhota.


Catarina Serra; Carlos Couto; Clara Oliveira; Eduarda Coquet; Fernando Castro; Francisco Macedo; J. Cadima Ribeiro; Jaime Rocha Gomes; Joaquim Neves; Nuno Neves; Vasco Eiriz

Mensagem distribuída na rede electrónica da UM em 20/06/08


Comentário:


Onde impera a Liberdade o debate e o pensamento crítico são a seiva que alimentam uma comunidade viva - são por isso desejados e estimulados por aqueles que exercem a liderança. Não sendo esse o caso, ser protagonista do exercicio crítico e do debate no seio da UM é uma difícil aventura. Bem haja pois todos aqueles que conseguem manter vivo o espírito de participação desinteressado.

sábado, 7 de junho de 2008

Novos Estatutos UM: denominação das unidades orgânicas

Artigo 70.º(Enumeração e denominação das unidades de ensino e investigação)


1. Existem na Universidade as seguintes unidades de ensino e investigação:
a) Escola de Ciências;
b) Escola de Engenharia;
c) Instituto de Educação;
d) Instituto de Letras e Ciências Humanas;
e) Instituto de Ciências Sociais;
f) Escola de Economia e Gestão;
g) Escola de Direito;
h) Escola de Ciências da Saúde;
i) Escola de Arquitectura;
j) Escola de Psicologia;
k) Escola Superior de Enfermagem.

terça-feira, 3 de junho de 2008

A designação da nova unidade orgânica IEP/IEC: proposta da Assembleia do IEC

Fundamentação da escolha, em Assembleia de Instituto, da proposta de designação da nova unidade orgânica resultante da reestruturação do IEC e do IEP:

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO E DE ESTUDOS DA CRIANÇA

A Assembleia do Instituto de Estudos da Criança, reunida no dia 30 de Maio de 2008, pronunciou-se maioritariamente sobre a escolha do nome da nova unidade orgânica, com base nos seguintes considerandos:

1. A nova unidade orgânica emerge da fusão de duas escolas anteriormente existentes, em situação de paridade. A nova escola da UM, resultante da integração do Instituto de Estudos da Criança e do Instituto de Educação, representa a aposta da Universidade numa escola forte, que se pretende de referência ao nível nacional e internacional, fazendo convergir o património académico e identitário construído por ambos os institutos, ao longo dos seus anos de funcionamento, traduzido nos seus projectos de ensino, de investigação e de extensão em diferentes domínios científicos.

2. O Instituto de Estudos da Criança não é uma escola estritamente de educação. Se o IEC nasceu em torno de um projecto de formação de educadores e professores da educação básica, o seu desenvolvimento, ligado à auscultação das solicitações sociais, à emergência de novas áreas académicas, à competência construída dos seus docentes e investigadores, assim como aos requisitos epistemológicos do seu objecto de estudo – a criança – traduziu-se numa expansão de áreas de investigação/intervenção que transcendem o campo da educação.

Para além das áreas científico-pedagógicas directamente relacionadas com a educação e a formação de educadores/professores, o IEC tem uma procura e uma oferta consolidada e amplamente reconhecida a nível nacional e internacional, no campo interdisciplinar dos Estudos da Criança, em âmbitos tais como: as políticas sociais para a infância, a intervenção psico-social (pobreza infantil, trabalho infantil, protecção de crianças em risco), a saúde infantil e bem-estar, o lazer e tempos livres, os estudos artísticos, a violência escolar, a intervenção precoce, a sociologia da infância, a animação sócio-comunitária, a literatura infantil, entre outras.

Por tudo isto, o IEC é procurado por um público abrangente, que não se limita aos agentes educativos, estendendo-se a sociólogos, técnicos do serviço social, psicólogos, animadores sócio-culturais e artísticos, médicos, agentes da comunicação social, enfermeiros e outros profissionais que intervêm nos mundos da criança.

3. Os Estudos da Criança constituem uma área académica em grande expansão a nível internacional. Uma década depois da criação do IEC, encontram-se hoje, em muitos países, unidades orgânicas universitárias com a designação de Estudos da Criança (Child Studies, Children’s Studies ou Childhood Studies), um campo multidisciplinar que se desenvolve com autonomia no mundo académico, tendo lugar institucional bem definido. Todas elas têm uma (maior ou menor) interface com a educação (e as ciências da educação), mas encontram expressão própria no diálogo com outras áreas científicas.

4. A designação “Instituto de Educação e de Estudos da Criança” é uma mais-valia para a escola emergente e para a Universidade. A inclusão do nome “Estudos da Criança” na designação da nova escola não só assume a continuidade dos projectos académicos da Universidade do Minho na mudança agora iniciada, como lhe confere o seu carácter inovador, marcando a diferença e a mais-valia da escola emergente relativamente a instituições congéneres.

Estes argumentos sobre a designação da nova escola não põem em causa os compromissos assumidos pelo IEC no processo de audição das unidades orgânicas. Pelo contrário, consideramos que este é um momento histórico que nos oferece grandes oportunidades e desafios, e que teremos que enfrentá-los com abertura e imaginação, mas também com serenidade e respeito por aquilo que cada escola construiu até hoje, enquanto patamar para a fundação de uma nova escola com identidade e cultura próprias.