quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Ministro e as práticas ilícitas no meio académico!

Segundo a agência Lusa, no passado domingo, os responsáveis do Movimento Anti-Tradição Académica, divulgaram que a Universidade Lusíada de Famalicão vai pagar uma indemnização de 90 mil euros à família do jovem universitário que terá morrido na sequência de uma praxe académica. Acto contínuo, o Ministro da Ciência e Ensino Superior avisou que não vai tolerar abusos nas praxes académicas, denunciando-os ao Ministério Público para responsabilizar quer os seus autores quer as direcções de instituições que permitam que aconteçam. (…) Adverte o Ministro que, pela "extraordinária gravidade" de algumas destas práticas, "não permite qualquer tolerância" com "insuportáveis violações do Estado de Direito" no meio académico. A "prática de tais ilícitos" deve ser (…) “muito especialmente [combatida], pelos próprios responsáveis das instituições".

Não posso deixar de comentar, perante tão enérgica atitude, que ficamos então à espera de novo aviso do Ministro: o de que "não permite qualquer tolerância" com OUTRAS "insuportáveis violações do Estado de Direito" no meio académico ("insuportáveis", digo bem), bem como da “prática de [OUTROS] ilícitos”, e que para isso responsabilizará “quer os seus autores quer as direcções de instituições”. Tais OUTROS…, sem visibilidade nem impacto na opinião pública, podem agora ter como certo que nem a santíssima “autonomia universitária” vai acobertar os infractores. O Ministro vai cortar a direito - sou um homem de muita fé...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A viloência psicológica no trabalho também mata!

Já se suicidaram 24 trabalhadores da France Telecom

Público: 29.09.2009 - 08h17
Por Ana Rute Silva

Um trabalhador da France Telecom, de 51 anos e pai de dois filhos, cometeu suicídio ontem, elevando para 24 o número de funcionários da empresa de telecomunicações que nos últimos 18 meses acabaram com a própria vida.

Numa carta deixada à família descrevia o seu sofrimento "motivado pelo contexto profissional". A esposa explicou às autoridades judiciais que o marido estava com uma depressão há vários meses.

Desde Fevereiro do ano passado que os casos de suicídio assolam a France Telecom, onde o Estado francês tem uma participação de 27 por cento. Os sindicatos já pediram mais protecção aos cem mil trabalhadores que, à custa das reestruturações provocadas pela privatização, são obrigados a mudar de local de trabalho, de chefias ou área.

"É uma vergonha. Ele trabalhava num local conhecido por ser inviável [num call center em Annecy, Alta Sabóia], sem humanidade e onde havia uma grande indiferença. Não se falava de outra coisa senão de números", criticou Patrice Diochet, dirigente sindical, em declarações à AFP.

domingo, 27 de setembro de 2009

A desgastante conflitualidade é um sorvedouro de energia humana na UM

Em http://universidadealternativa.blogspot.com/2009/09/estes-problemas-nao-sao-so-sentidos.html dá-se conta de que alguém terá sublinhado que os problemas que referi na mensagem com o título Às candidaturas a Reitor falta-lhes a lente para a dimensão da vivência humana na UM [http://um-novosdesafios.blogspot.com/2009/09/as-candidaturas-sobrevoam-dimensao-da.html ] não dizem respeito apenas aos docentes.

Quero dizer que estou inteiramente de acordo com o reparo e só por lapso focalizei a questão nos docentes, na parte final. Eu tenho estado atento às justas lutas dos funcionários não docentes e tenho enaltecido o seu exemplo. Desde logo sublinho a odisseia que foi a sua luta, dentro da UM e nos tribunais, para fazerem valer o reconhecimento dos seus legítimos representantes na Assembleia e no Senado da UM [ver http://liberdadeuminho.blogspot.com/2008/07/reeleio-da-lista-dos-funcionrios-no_07.html ].

É inquestionável que, do que tem vindo a público, os sinais do mal-estar e de conflitualidade desgastante de que falo, são até mais visíveis nesse sector. Não há memória de tal situação e tudo isso tem a marca de uma forma de governo da UM.

Quanto ao facto de eu referir serem os jovens os mais atingidos, admito que o reparo pode ser pertinente. De facto, falando dos docentes, muitos deles já não esperam pela tradicional jubilação - reformam-se à primeira oportunidade (este fenómeno pode ter também a ver com o momento difícil que atravessa o Ensino Superior na conjuntura actual).

É da maior relevância que os candidatos a Reitor se proponham trabalhar no sentido da recuperação de um novo clima de saudável convivência académica. E que para isso apresentem propostas de acção concretas. Igualmente o Conselho Geral tem responsabilidades nessa matéria.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O que têm os candidatos a dizer sobre isto?

Em ambas as candidaturas a Reitor escapa-lhes a natureza da vivência humana que caracteriza o quotidiano das pessoas. Sem mergulhar em profundidade nessa dimensão, dificilmente a UM poderá extrair o que há de melhor em cada um dos seus membros. A situação é crítica e precisa de atenção urgente. Por exemplo, a quantidade de energia desperdiçada numa endémica conflitualidade, sem quaisquer mecanismos de regulação arbitral, é imensa [com grande responsabilidade da Reitoria cessante].
[...]


O que têm os candidatos a dizer sobre isto?

Seria bom que se pronunciassem.


Joaquim Sá
Ver em:
http://um-novosdesafios.blogspot.com/2009/09/as-candidaturas-sobrevoam-dimensao-da.html

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Não tomemos a retórica e a burocracia pela realidade!

A UM teve há algum tempo uma referência externa elogiosa no que diz respeito à incrementação do processo de Bolonha. Ficamos orgulhosos! Do que se tratava mais não era do que a relativa brevidade com que construímos as grelhas curriculares dos cursos em conformidade com os formalismos requeridos, passando as actividades lectivas a funcionar de acordo com a nova arrumação das UCs. Ora, o que é que isso nos diz, em termos substantivos, quanto à real incrementação da profunda renovação do ensino que é preconizada? Eu diria que muito pouco ou quase nada.

Continua em:
http://um-novosdesafios.blogspot.com/2009/09/continuar-reflexao-sobre-o-processo-de.html

sábado, 19 de setembro de 2009

Os funcionários podem pôr questões aos candidatos a Reitor! E os docentes?

No blog Universidade em Mudança ( http://www.umparatodos.com/ ) informa-se que:

Os trabalhadores não docentes podem apresentar as questões que desejam ver formuladas aos Candidatos, na audição que terá lugar no seio do Conselho Geral (...).

Para o efeito, está disponível nesse blog um espaço para que os funcionários encaminhem para para a sua Representante no Conselho Geral as questões para as quais gostariam de ouvir uma resposta.

Mais se informa:

A audição terá lugar no próximo dia 6 de Outubro, pelas 10h, e decorrerá do seguinte modo:

- Os candidatos serão ouvidos em sequência, por ordem alfabética.

- As audições terão lugar no Salão Nobre, no Largo do Paço

- Os candidatos terão à sua disposição meios audiovisuais: computador e projector para apresentação em "power point".

- A sessão será difundida pela intranet da UM, podendo também ser visionada em tempo real em três anfiteatros: no anfiteatro grande do campus de Azurém, no anfiteatro B1 do edifício CP1 do campus de Gualtar e ainda no anfiteatro da Escola Superior de Enfermagem, no edifício dos Congregados.

- Cada audição terá a duração máxima de 2h30m, iniciando-se por um período até 30 minutos para o candidato fazer uma exposição preliminar, a qual será seguida de perguntas formuladas pelos membros do CG e das respostas do candidato.

Comentário

Muito embora se tenha escrito em http://um-novosdesafios.blogspot.com/ que "Os membros do Conselho Geral podem e devem ser apoiados na preparação da audição pública dos candidatos através da academia", até ao momento, ainda não vimos da parte dos representantes dos Professores e Investigadores a apresentação de uma modalidade operacional de auscultação dos representados.

Talvez seja importante pensar nisso!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Assegurar o poderio do SAS na UM: decisões de afogadilho à última hora!

De acordo com informação veiculada no blog Universidade em Mudança ( http://www.umparatodos.com/ ) o

NOVO REGULAMENTO ORGÂNICO DOS SERVIÇOS DE ACÇÃO SOCIAL
PASSA TODOS OS CHEFES DE DIVISÃO A DIRECTORES DE SERVIÇOS

E prossegue a informação nestes termos:

Conforme aqui demos conta, pelo Despacho RT-46/2009, de 31 de Julho, o Reitor da Universidade do Minho aprovou um novo Regulamento Orgânico dos Serviços de Acção Social.

Pese embora não estar ainda constituído o Senado Académico, órgão ao qual competirá pronunciar-se sobre os Estatutos dos SAS, e antecipando-se à criação deste órgão, somos confrontados com um novo Regulamento cuja alteração visa, afinal, passar (promover) todos os actuais Chefes de Divisão a Directores de Serviços.

[…]

Os anteriores Regulamentos Orgânicos foram sempre aprovados pelo Plenário do Senado Universitário – contrariamente a este – em Maio de 2000, (em 2003), e em 26 de Abril de 2004, prevendo-se que os diferentes serviços dos Serviços Acção Social fossem coordenados por chefes de divisão ou técnicos superiores.

Os Serviços de Acção Social da Universidade do Minho, por outro lado, ficam deste modo, com um número de Directores de Serviços praticamente da mesma ordem de grandeza de toda a estrutura da Universidade, em geral, que dispõe, actualmente, de oito Directores de Serviços (...), para uma diversidade e número de trabalhadores muito superior, e como uma complexidade de estrutura bem distinta.

Comentário:

Há muito se sabe que os Serviços de Acção Social da UM são um poder fáctico que se impõe à Academia, com pretensões de influenciar o jogo de poder em termos do governo da UM, facto bem visível nas últimas eleições para Reitor. A este propósito, o papel de constante alinhamento com a Reitoria dos representantes dos estudantes/membros da Associação Académica, nos vários órgãos em que estão presentes, suscitam as maiores interrogações sobre as suas verdadeiras motivações. [Quatro estudantes no Conselho Geral (de uma mesma lista), num total de 23, é uma representação manifestamente excessiva.]

Importa ainda saber onde estão a sede de comando e os executores da vigilância e manipulação electrónica, que enviam mensagens apócrifas intimidatórias para certos docentes (já recebi duas; há dias um outro colega deu conhecimento de uma outra), que montam acções de terrorismo electrónico dirigidas a toda a academia para denegrirem colegas, e que simulam sondagens fantasma dirigidas a toda a academia, como aconteceu nas recentes eleições para o Conselho Geral. Este controlo, vigilância e intimidação sem rosto, é uma situação perturbadora da vida académica e gravemente atentatória dos direitos das pessoas. Urge investigar e punir os responsáveis em conformidade com a lei.

Cabe perguntar:

- Que interesses se movem nesta deliberação de última hora, antecipando-se o procedimento normal de submissão de Regulamento Orgânico do SAS ao Senado Académico?

- Por que razão não está ainda constituído o Senado Académico?

- Como é que se justifica que o SAS tenha praticamente o mesmo número de Directores de Serviços que toda a restante estrutura da UM?

- Nesta confusão de águas turvas em que vivemos que órgãos tem legitimidade para governar a UM?


Finalmente uma chamada de atenção!


Já foram anuladas pelos Tribunais Administrativos quatro nomeações de dirigentes de serviços na UM. Não é um bom augúrio quanto ao destino destas decisões em sede de regulamento.

A não perder de vista também as duas auditorias do Tribunal de Contas à UM, cujos resultados são verdadeiramente lastimáveis.