quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O que valem as ideias na construção do novo Instituto de Educação?

A lista A, de que fiz parte, candidata à eleição dos representantes dos Professores e Investigadores ao Conselho do Instituto de Educação da UM, defendeu uma visão geral do Instituto em torno de três eixos fundamentais:

- A relevância social da actividade académica educacional

- A promoção de uma Educação transformadora
- A criação de uma atmosfera institucional de bem-estar

Sobre a necessidade de elevar a relevância social da actividade académica em Educação apresentámos as seguintes ideias:

- Maior enraizamento dos projectos na realidade social e educativa, com um comprometimento activo na compreensão e resolução dos problemas educacionais que afectam o país

- Incremento de projectos de investigação e intervenção centrados na escola/sala de aula, com a participação dos professores e dos alunos, nomeadamente no âmbito dos projectos de formação inicial, contínua e especializada

- Articulação entre a investigação realizada no quadro dos mestrados e doutoramentos e as necessidades educativas, desenvolvendo estudos em rede que permitam uma compreensão alargada das realidades investigadas

-Valorização de abordagens multi/ inter/ transdisciplinares e do pluralismo metodológico no estudo de realidades educativas complexas

- Reconceptualização da actividade científica educacional, no sentido de uma maior consistência, relevância e sustentabilidade da mesma

- Disseminação estratégica do conhecimento produzido, nomeadamente junto das comunidades educativas a quem ele mais possa servir, tendo em vista a promoção da sua transferibilidade, a sua avaliação crítica nos contextos de aplicação e a indução de processos de inovação

- Reconceptualização dos modos de internacionalização do trabalho académico, numa lógica de maior visibilidade e escrutínio dos estudos nacionais, e da produção de conhecimento potencialmente relevante ao progresso educacional no país

- Afirmação pública do IE como referência e voz autorizada para tomar posição fundamentada sobre matérias de interesse para o progresso educacional do país


Estas ideias correspondem a uma corrente de pensamento no Instituto de Educação que acolheu cerca de 40% dos votos dos Professores e Investigadores. Todavia, estas ideias não têm representação na actual composição do Conselho Científico.

E porquê? Pela simples razão de que não existem no Instituto as condições de liberdade que permitam às pessoas assumir com naturalidade a defesa pública dos seus pontos de vista, o que inviabilizou a constituição de uma segunda candidatura à eleição dos representantes dos Professores e Investigadores ao CC. Uma segunda candidatura, alicerçada em ideias claras e inovadoras, contribuiria para uma composição do Conselho Científico bem diferente, introduzir-lhe-ia outra vitalidade e cumprir-se-iam os desígnios estatutários de participação democrática e de pluralismo de opiniões e orientações.

Os órgãos do novo Instituto - agora a 3ª maior Escola da UM - vão-se constituindo sem que se vislumbrem as grandes ideias mobilizadoras: apresentam-se os nomes dos candidatos e quase nada há de visão programática e estratégica. E que falta fazem as ideias e a reflexão para um sobressalto que nos acorde para os problemas educacionais que é preciso encarar!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Instituto de Educação: resultados eleitorais e considerações "democráticas"

Representantes ao Conselho do Instituto

• Corpo de Professores e Investigadores: 100 eleitores

- Votos obtidos pela lista A – 30 (37%) - 1 mandato
- Votos obtidos pela lista B – 39 (48,1%) - 2 mandatos
- Votos brancos – 12 (14,8%)
- Votos nulos - 1

Representantes ao Conselho Científico do Instituto

• Corpo de Professores e Investigadores: 100 eleitores
- Votos obtidos pela lista A - 64 (80 %) - 13 mandatos
- Votos brancos – 16 (20%)
- Votos nulos – 2
• Foi eleita a Lista A com 80 % dos votos

Só a título de "curiosidade democrática", vejam-se os resultados numa Escola mais pequena do que o Instituto de Educação - a Escola de Economia e Gestão:

Representantes ao Conselho Científico
Lista A - 30 votos (5 mandatos)
Lista B - 15 votos (2 mandatos)
Lista C - 26 votos (5 mandatos)

Representantes ao Conselho de Escola:
Lista A - 26 votos (4 mandatos)
Lista B - 16 votos (2 mandatos)
Lista C - 30 votos (4 mandatos)

É notório que a lista única da Assembleia Estatutária do IE, que mobilizou pouco mais de cinquenta dos 100 eleitores, dos quais 32% votaram branco, fez um trabalho notável do ponto de vista da configuração democrática do "órgão colegial representativo do Instituto". Onde as outras Escolas da UM têm 10 e 11 representantes eleitos por sufrágio directo e universal, a nossa AE teve a brilhante ideia de lá colocar 7 lugares por inerência (Directores), ficando para eleger directamente apenas 3 representantes.

Para além disso, os Estatutos elencam os diversos segmentos que constituem o Conselho de Instituto deixando para último lugar os Representantes dos Professores e Investigadores em termos de "as vagas remanescentes". Ora, o diminuto número de representantes a eleger, a referência aos docentes em último lugar e em termos de "vagas remanescentes", com todo o simbolismo que essa expressão contém, são reveladorese de desprezo e desconsideração pela representação directa dos docentes no Conselho do Instituto. É a revelação de uma cultura aparelhística de controlo do poder que teme a expressão livre e plenamente democrática da vontade e sentimentos dos docentes - uma representação de 4 elementos da lista A e de 6 da lista B seria algo bem diferente. Temos uma situação que não tem paralelo noutras Escolas da UM.

sábado, 14 de novembro de 2009

O processo de configuração orgânica do Novo Instituto de Educação

Tendo em vista a configuração orgânica do novo Instituto de Educação, têm vindo a decorrer sucessivas actos eleitorais, a saber:

- Eleição da Assembleia Estatutária
- Eleição dos Directores dos cinco novos Departamentos
- Eleição dos Representantes ao Conselho Científico
- Eleição dos Representantes dos professores e investigadores, dos estudantes e do pessoal não docente e não investigador ao Conselho de Instituto
- Eleição dos Representantes dos estudantes e dos docentes ao Conselho Pedagógico

Contrariamente a pluralidade de orientações que seria desejável neste processo democrático, tem vigorado as listas únicas e as eleições nominais, em alguns casos. A única excepção reside na eleição dos Representantes dos professores e investigadores ao Conselho de Instituto - apresentam-se a sufrágio as listas A e B, para a eleição de 3 representantes.

Este ciclo eleitoral conclui-se a 27 de Novembro. Depois disso proceder-se-á ainda à eleição do Presidente do Instituto, que é da competência do Conselho de Instituto entretanto constituído.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Universidade de Évora lança Universidade Popular

Notícia do Público:
A Universidade de Évora (UE) vai lançar até final deste mês uma escola popular para oferecer oportunidades de aprendizagem à população e rentabilizar o potencial cultural, científico e de formação da academia alentejana.

http://www.publico.clix.pt/Educação/universidade-de-evora-lanca-escola-popular-para-rentabilizar-potencial-da-academia_1409021

Com o atraso cultural e educacional que caracteriza o País, se nas Universidades as habituais actividades académicas não dão ocupação a todos os docentes, não falta na sociedade um trabalho imenso de formação e educação para rentabilizar esses recursos humanos. A título de exemplo, o imperativo de progresso educacional nas nossas escolas básicas e secundárias bem justifica um grande investimento na formação contínua, devendo essa actividade ser contabilizada nas cargas lectivas dos docentes.

sábado, 31 de outubro de 2009

A acção corrosiva da desumanização na UM: o caso da proposta de avaliação da qualidade!

Segundo José Gil (2005):

Nunca, ou muito raramente, os relatórios e inquéritos se referem a esses factores miscroscópicos. No entanto, um sector de empresa, de banco, de uma administração, de um escritório, de um hospital, de uma escola, de um ministério ou de outra macroinstituição qualquer não escapam à acção corrosiva de certas "relações interpessoais".

Com efeito, aqueles factores intervêm a esse nível. E contudo, como se sabe, a causalidade microscópica pode ter efeitos catastróficos (ou de sucesso) a uma escala mil vezes superior. (...) Infinitas injustiças são cometidas todos os dias (...) à conta de golpes baixos inconfessáveis que ficarão para sempre impunes no cômputo do Juízo Final...
(Gil, 2005: 90).

Desde há vários anos tenho introduzido para debate público a questão da atmosfera social e das relações interpessoais, como variável fundamental do ponto de vista dos níveis de satisfação pessoal, realização profissional e produtividade das pessoas na Universidade do Minho. Esse tema foi acolhido como relevante por outros colegas; outros ainda, em contexto eleitoral, por curtos períodos de tempo falaram das "pessoas", mas não se vislumbra que se abandonem os slogans do costume, onde a natureza da vivência humana dentro da instituição é reduzida a coisa nenhuma. O facto é que, para quem está atento (eu tenho a imodéstia de me considerar como tal), assiste-me nos tempos recentes a uma acelerada degradação do clima social e da relações interpessoais na UM.

Perante a frenética regulamentação que é atirada para cima de todos nós, quando se apela a reflectir, intervir, tomar posição a reacção generalizada é "não quero saber", "não tenho tempo", "estou farto", "quero emigrar daqui", "as pessoas estão a ficar doentes", etc. A inquietação, a ansideade, a angústia e mesmo o desespero alastram, especialmente entre os docentes de vínculo contratual mais precário: exprimir qualquer opinião é o risco do desemprego à vista. Certos poderes medíocres exploram sem escrúpulos essa vulnerabilidade. As pessoas refugiam-se no seu canto, alheando-se de tudo, procurando na discrição e no silêncio alguma protecção e segurança. Aos olhos dos poderes institucionais essa realidade não existe e não é equacionada como parte da política universitária. Outros há que farão o papel de fazer crer que tudo vai no melhor dos mundos.

A propósito, quantos docentes da UM conhecem o Programa de Qualidade (42 páginas) e o Manual da Qualidade (39 páginas), documentos enviados para as diversas chefias em 1/06/09 com a indicação de “uma ampla auscultação da comunidade académica” e um prazo de entrega de contribuições até final de Julho de 2009. Alguém sabe disto? Alguém está consciente das consequências de tais orientações de política de qualidade se vierem a ser aplicados?

Uma leitura atenta permite concluir que a natureza dos poderes de avaliação e a dimensão/desadequação das tarefas de avaliação previstas só podem ter como consequência a subversão da actividade que é avaliada, designadmente a actividade de ensino. À semelhança do modelo de avaliação dos professores da ex-Ministra da Educação, caminharemos para uma situação em que o importante mesmo é avaliar o ensino e não ensinar, o que acaba por ser avaliar aquilo que o sistema de avaliação não permite fazer.

Entre muitos dos aspectos inquietantes aí contemplados, pretende-se instituir a figura do "promotor da qualidade". O que é que isto faz lembrar? Comissários políticos? Agentes de uma qualquer "revolução cultural", que nos vão meter à força dentro da sua grelha "objectiva" de avaliação da qualidade?

Há uma estranha Comissão para a Garantia Interna da Qualidade (CGIQ) com poderes supremos sobre a qualidade, designadamento a do ensino, que pode inclusive instaurar auditorias sobre o funcionamento de uma Unidade Curricular. E qual é a composição dessa comissão? Veja-se:

- um vice-reitor ou pró-reitor;
- um gestor de qualidade (o que é isto?);
- um representante de cada unidade orgânica nomeado pelo respectivo presidente;
- o administrador (de quê?);
- o aministrador do SAS (pois, a figura omnipresente na vida da UM!);
- um representante dos serviços certificados (não sei o que é);
- o presidente da associação académica (tinha que ser...);
- dois representantes dos estudantes;

Qual é a nossa dignidade de professores universitários para aceitarmos isto?

Um aspecto completamente inaceitável é que esse documento de trabalho não tem rosto, o que contraria em absoluto os princípios de boa-fé e transparência democráticas. É fundamental que os autores do documento se dêem a conhecer, para melhor avaliarmos dos seus méritos e propósitos e sintamos que temos interlocutores.

Duas questões:
- Qual é a legitimidade de tais documentos de política universitária promovidos por um Reitor nos últimos dias do seu mandato?
- O que vai fazer com tais documentos a nova Reitoria, acabada de se constituir?

domingo, 18 de outubro de 2009

Um Novo Instituto de Educação na UM


[...]
Precisamos de ser criadores de um conhecimento educacional mais transformador, e incorporar esse conhecimento numa renovada formação de professores. É necessário que o novo Instituto se afirme publicamente como voz autorizada para tomar posição bem fundamantada sobre matérias de política educativa, especialmente quando dão lugar a graves conflitos entre o governo e os professores - não é compreensível o completo silêncio das instituições universitárias de Educação, perante as querelas recentes que criaram uma situação caótica nas escolas.

É pois desejável que essa Escola não seja o mero resultado do taticismo e dos arranjos de poder estabelecidos – isso não será uma nova Escola, não será um projecto para servir o País. É preciso que as novas ideias tenham o seu lugar para germinar, crescer e amadurecer.
[...]

Ver continuação em
http://um-novosdesafios.blogspot.com/2009/10/construir-um-novo-instituto-de-educacao.html

Joaquim Sá

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

António Cunha: o novo Reitor da UM

EDITAL

Em cumprimento do disposto no respectivo Regulamento, o Conselho Geral procedeu, em reunião realizada no dia 7 de Outubro de 2009, à eleição do Reitor da Universidade do Minho.

Do escrutínio resultou a seguinte votação:

Candidato Professor Doutor António Augusto Magalhães da Cunha – 14 votos

Candidato Professor Doutor Artur Manuel Perez Neves Águas – 1 voto

Votos em branco – 8 votos

Em face destes resultados, o Conselho Geral proclama eleito Reitor da Universidade do Minho o candidato Professor Doutor António Augusto Magalhães da Cunha.

Afixe-se nos lugares de estilo.

Universidade do Minho, 07 de Outubro de 2009

O Presidente do Conselho Geral

Luís Braga da Cruz

Comentário:

Felicito o novo Reitor, Professor António Cunha, pela sua eleição. Não posso deixar de, neste momento, manifestar a expectativa de que, na governação da UM, o novo Reitor e a equipa que o acompanha, sejam capazes de ler os fortes sinais de aspiração de mudança que, no seio da academia, se fizeram sentir em sucessivas eleições.