segunda-feira, 31 de março de 2008

O QUE RESTA DO HUMANISMO PARA ALÉM DA RETÓRICA?

(…) quem ousaria opor-se á prevalência
do discurso humanista, sob pena de cair
na extrema barbárie de ser contra o homem?
(…) Mas que homem? Que tipo de homem?
Interrogações que abrem dúvidas no unanimismo
à volta do humanismo.
(José Gil, 2004)

“Humanismo”, aí está uma palavra que tenho cada vez mais dificuldade em utilizar. O último processo eleitoral ocorrido na UM veio reforçar o fundamento de tais reservas. Com efeito, se ambos os projectos se apresentaram à academia com enunciados humanistas, valores democráticos, preconizando o primado da liberdade, o que haveria de ser discutido?

A discussão faz-se com recurso à palavra, contrapondo argumentos ao que é tido por diferente, contrário. Todavia, se nos enunciados fundamentais não há contradição mas convergência, toda a discussão é um exercício de retórica redundante, em torno de uma mesma coisa. Navega-se num consenso difuso, sem vectores, como se o objecto de discussão - a vida académica - fosse uma realidade sem esboço de forma, desprovida de arestas, de vértices, de tudo o que aponte um sentido de diferença ou de ruptura. O debate não existe e o pensamento fica enclausurado: o dos candidatos, o dos que querem intervir no debate e o dos que ouvem.

Que sentido faz discutir-se o direito de participação na vida académica se não há coragem para abordar a premente necessidade de mecanismos de acção eficazes que ponham cobro ao cinismo com que se aviltam as pessoas nos seus direitos legítimos? Há alguma noção de quanto isto corrói a vida das pessoas e o potencial humano da instituição?

A simples garantia do estrito respeito da legalidade dentro da UM teria o efeito de uma autêntica revolução na cultura institucional... Para melhor, muito melhor, na direcção de uma Universidade em que o humanismo em vez de um slogan eleitoral seja uma vivência substantiva, parte integrante do quotidiano das pessoas.

Ter-se-ia então que entrar na desmontagem do carácter instrumental do discurso humanista para finalidades diferentes das enunciadas, o que se torna um exercício intelectual bem mais complexo. Essa instrumentalidade está frequentemente em lados aparentemente opostos. Por isso, se quisermos o debate substantivo na academia, teremos que entrar na discussão da (in)coerência entre os princípios enunciados e a conduta dos personagens. Porque, para efeito de consumo público, é humanista o opressor, é-o o oprimido e é-o também o justo. Há os que reclamam liberdade e democracia quando olham para o alto, fincando bem as botas em cima dos que estão por baixo.

Dificilmente haverá melhor critério para se sair do impasse do que a possibilidade de se fazer um juízo sobre quem proclama os valores humanistas, em função da sua praxis no lugar, no tempo e com as pessoas com que se faz o seu quotidiano. Isto remete-nos para o tema das públicas virtudes versus vícios privados, no mundo académico.

Uma certa casta de humanistas, democratas, politicamente posicionados de forma muito “correcta” à esquerda, decidiram, depois do fulgor de Abril, que o destino tinha para eles o desígnio de grande notoriedade. Universidades adentro, foram tecendo uma estratégia de ascensão muito própria. Sempre bem encostados ao poder, de verbo fácil, confundem discurso académico com discurso político, confundem ciência com ideologia e qualquer ideia de rigor de investigação é um vício positivista, incompatível com a pós-modernidade académica, de que são os pioneiros.

Estabeleceram a sua bitola de humanismo, a cartilha a que devem obedecer os seguidores que assim podem provar dos benefícios do poder. Se alguém não assimila de forma “correcta” esse padrão humanista aplica-se uma implacável correcção dos desvios. E não lhes treme a voz quando, perante o despedimento arbitrário e ilegal de um(a) colega (a correcção do desvio), argumentam que o “parecer jurídico do sindicato não tem valor vinculativo”. Testemunhei tais comportamentos humanistas no ano 2001.

Dos pregadores Frei Tomás não esperemos nada. Bem melhor será que saibamos ao que vão.

Artigo publicado no ComUM, edição impressa de 3 de Março de 2008

quinta-feira, 20 de março de 2008

HOJE MAIS DO QUE NUNCA: EXPANDIR A POTÊNCIA DE VIDA (2)

Como uma mensagem de Páscoa, aqui deixo, na íntegra, um comentário deixado no post Hoje mais do que nunca: expandir a potência de vida


E valerá realmente a pena, lutarmos contra a opressão sobre as tentativas constantes de silenciar quem se manifesta contra??? Sinceramente não sei. Não vivi o 25 de Abril de 1974, mas sou uma apaixonada por história e felizmente sempre tive professores que me davam a beber a sua sabedoria e experiência, sim eu que em criança coleccionava recortes de jornais sobre o tema e com que meus pais brincavam e diziam "ai rapariga vais dar revolucionária.". Mas sabem, meus pais estavam errados, porque não se pode sequer exigir o que é nosso por direito a LIBERDADE. Senão vejamos, o que está a acontecer com o processo de avaliação dos docentes: 100000 docentes nas ruas de Lisboa e para quê??? Para a Ministra no Parlamento afirmar "A minha obrigação não é dar as respostas que a senhora deputada quer ouvir. A minha obrigação é responder com resultados. Respondo com aquilo que faço, com a política educativa" e esta senhora ainda se acha com razão, tudo porque o engenheiro (...) Sócrates a anda a levar ao colo e a segurá-la no Ministério. Não sou docente mas senti necessidade de estar presente na vigília feita na cidade de Braga numa sexta-feira à noite e aqui fica o meu relato num site onde professores desabafam, trocam experiência e materiais de trabalho."Sou de Braga nascida e criada e ontem senti a obrigação de estar ao vosso lado, ao lado dos meus ex-professores e dos meus futuros colegas. Sou sincera não estava à espera de ver muita gente, cheguei à Avenida eram 22:25 e não vi ninguém, decidi ir dar uma volta... e a verdade é que as lágrimas caíram, porque vi um "mar" de emoções, umas saudosas outras de revolta e indignação mas nas ondas desse mar de gente sentia-se a UNIÃO de um povo que já fez a Revolução à 33 anos. Lembrei-me inevitavelmente do meu professor de História que com a memória viva a correr nas veias nos relatava não só a história em si mas a sua experiência. Mas voltando ao que ontem vivi, senti um orgulho imenso na minha futura profissão, juro, senti que somos capazes de voltar a fazer a revolução. Cheguei à praça do Município e só consegui dizer "LINDO" porque realmente aqueles olhares, aqueles cânticos, que mesmo espontâneos, eram perceptíveis. Foi como que uma viagem no tempo, primeiro porque muito humildemente senti o que muitas vezes a minha mãe me conta o que viveu, os dias da revolução do 25/04/1974, porque o que sempre realçava era que o poder do povo "jamais será vencido.". Depois vi os meus professores, as pessoas que orientaram o meu caminho, me deram de beber do seu saber, que muitas vezes me "puxavam" orelhas, mas que, acima de tudo, partilharam o que de melhor tinham e fizeram de mim uma pessoa melhor, e por fim, porque senti e tive a certeza que o meu futuro é a EDUCAÇÃO, que o futuro do nosso país está nas nossas mãos e que a escola será sempre em primeiro lugar dos alunos e em segundo dos professores, porque a escola deve ser feita para eles alunos pelos professores, pais e comunidade. Espero não ter sido muito maçadora e desculpem se a narrativa não for a mais correcta mas a verdade é que neste momento as palavras saltam-me da alma e por vezes o conter e explicar o que vai na alma é confuso. E para si Sr.ª ministra não se esqueça que o valor da educação é superior ao valor dos diamantes porque a educação molda seres, faz uma nação."Sinceramente não sei se valerá a pena, naquela noite achei que sim...sinto que neste momento quer na sociedade quer na Universidade existe um ambiente pidesco e silenciador de almas prontas a mover montanhas...

20 de Março de 2008 0:46

quarta-feira, 19 de março de 2008

As Associações Académicas, o UMjornal e o UMdicas!

O QUE SÃO HOJE AS ASSOCIAÇÕES ACADÉMICAS? perguntei num dos posts anteriores.

O estudante de Direito Jorge Sousa dá a sua opinião em http://ohnaoehagora.blogspot.com/. Transcrevo alguns excertos do que escreve:

A taxa de abstenção das últimas eleições para a AAUM parece-me um bom ponto de partida. 85% e um presidente, candidato único e a renovar o mandato, satisfeito com esses números (não tenho uma ideia exacta, mas estudarão 15000 alunos na UMinho?). As conclusões imediatas são o total alheamento dos estudantes. Mas quais as causas?

Entre várias interrogações refere:

Será por os dirigentes máximos serem aqueles que se arrastam no curso ou se deixam arrastar, de propósito, para poderem "assaltar" essa posição de destaque? E assaltar será um exagero, pelos últimos largos anos, a AAUM tem sido praticamente uma monarquia: uma sucessão dinástica.

E enumera várias causas a que as AA deveriam dar atenção, concluindo:

E muito mais haveria por onde se pegar. No mínimo, exigia-se que cada uma dessas causas tivesse tido uma resposta ao nível da que a antiga direcção do "Académico" teve quando esta foi demitida pela direcção da AAUM - decisão mais tarde considerada ilegal pelo conselho fiscal - e que acabou por gerar um protesto com alguma visibilidade. [Digo eu: colegas, nós andamos muito distraídos em relação a uma determinada realidade. Por favor, leiam os links a azul; é muito elucidativo do plano inclinado para vamos todos sendo arrastados - os mesmos padrões de actuação em diferentes tabuleiros da Academia].

Sobre se AAUM prossegue os interesses dos estudantes escreve:

A AAUM é claramente: o "Enterro", a "Gata na Praia", a "Semana da Euforia" ou a "Latada" - as festividades. E respondendo directamente a uma das perguntas do professor: Não, é evidente que a AAUM não prossegue os interesses maiores dos estudantes.

Uma das consequências de Bolonha:

Notam-se muito menos iniciativas neste ano que ainda vai a meio. Não da AAUM, essa continua sensivelmente na mesma. É o "pequeno" associativismo - quer na forma de núcleos, quer na forma de associações de estudantes de cada curso - que está a pagar. Quando realizar iniciativas? Quando arranjar tempo para as organizar, fazer os convites, publicitar? Quando é que as pessoas que não as organizam têm disponibilidade para as frequentar?


Meu comentário:


1.
Em minha opinião, muito bem a referência ao "pequeno associativismo", independentemente de outras considerações. É ao nível da microestrutura que se tece a vitalidade de uma comunidade, de uma organização, de um sistema. A visão macro, sem a complementaridade de um enfoque micro é um vício do qual dificilmente se obtêm bons resultados. Veja-se o caso do sistema de ensino. Pos mais análises genéricas que se façam, a qualidade do ensino nas nossas escolas dificilmente melhorará sem políticas que levem os professores a acreditar que o que conta verdadeiramente é a sua acção dentro da sala de aula.

2.
O episódio da demissão da antiga direcção do "Académico" faz-me lembrar o sucedido com o UMjornal… A sua Direcção não teve que ser demitida. O jornal simplesmente foi extinto.

Mas temos o UMdicas… do SAS, dirigido por um funcionário não docente, onde se pode mal-tratar docentes e tentar influenciar decisões de política geral da Academia num determinado sentido. Muito bizarro para uma folha que, em conformidade com o âmbito de competências dos SAS, fixadas por lei, teria que confinar o seu conteúdo a cantinas, bares, bolsas de estudo, residências, desporto universitário, etc. - o que está na lei.

Mais bizarro ainda: o Senado divide-se e não sabe o que fazer com a conduta do UMdicas! A notícia da polémica continua lá on-line em http://www.dicas.sas.uminho.pt/uploads/UMDicas56.pdf , uma provocação continuada e uma demonstração de falta de decoro institucional.

Apetece-me repetir o mesmo apelo de há algum tempo correu na UM:

- Não há quem tire aquilo de lá [a "notícia"]?

Quem porventura esteja a pensar numa atitude solidária da minha parte, esqueça. Já não é disso que se trata - já o fiz. Vejo com muita estranheza que isto se esteja a passar nesta Universidade. Começa a haver falta do mais elementar bom-senso aos olhos de obervadores externos. Parece que estamos a perder a noção da realidade.

A minha indignação tem como objectivo primordial a defesa da Universidade do Minho.

terça-feira, 18 de março de 2008

HOJE MAIS DO QUE NUNCA: EXPANDIR A POTÊNCIA DE VIDA!

Segundo José Gil

"É o medo que nos tolhe e, directa ou indirectamente, nos inibe de expandirmos a nossa potência de vida, e mesmo a nossa vontade de viver.

Enquanto dispositivo mutilador do desejo, o medo dispõe à obediência. Amolece os corpos, sorve-lhes a energia, cria um vazio nos espíritos que só as tarefas, deveres, obrigações da submissão são supostos preencher. O medo prepara impecavelmente o terreno para a lei repressiva se exercer."


São difíceis os tempos que hoje vivemos no País e na Universidade. Não nos deixemos tomar pelos fantasmas que nos toldam o discernimento e desfalecem energias, deixando-nos à mercê de um sopro que nos faz tombar.

Sacudamos os corpos tolhidos, levantemo-nos na direcção da luz, tenhamos no espírito uma visão clara, não desistamos de SER.

Não nos limitemos a esperar pelos acontecimentos, sejamos actores dos acontecimentos.

Isso é transformar os tempos sombrios de hoje em dias promissores.

Isso é esperança!

ISSO É EXPANDIR A POTÊNCIA DE VIDA!

A aluna Vanessa responde ao post sobre as AAEs

Professor a AAUM são todos os alunos da UM, e como em tudo na vida há quem participe e quem simplesmente nem se dê ao trabalho de tentar entender qual a função desta associação.Eu pessoalmente sou colaboradora da AAUM desde que ingressei nesta Mui Nobre Academia, e penso que serve inteiramente os interesses dos alunos, porque ao contrário do que se possa pensar a AAUM não é somente a gata na neve, a gata na praia, o enterro da gata ou a recepção ao caloiro. Não nos podemos esquecer que é um órgão com assento no senado académico que de tudo faz para ir ao encontro das necessidades dos estudantes. É quem dá formação aos delegados, que se preocupa em introduzir no acolhimento dos novos alunos actividades em educação não formal e que nesse domínio é um exemplo para as restantes academias do pais. Isto é somente um pedacinho do trabalho desenvolvido. É verdade que há ainda muito a melhorar, mas até para isso temos trabalhado, por exemplo com a criação do gabinete de formação e qualidade. É com muito orgulho que afirmo ser parte activa nesta associação. Mas também é verdade que concordo com o colega Jorge Sousa na medida em que pelo menos no que conheço, por vezes não é dada voz aos estudantes, ou melhor deixam os estudantes falar mas não são levados muito em contae quando têm a ousadia de falar, por muito educadamente que falem são "silenciados" ou pior ainda prejudicados por exepressarem a sua opinião, ou por querem somente aceder aos seus direitos. Infelizmente muitos docentes ainda são do tempo "eu quero posso e mando." Não receio dizê-lo porque todos nós sabemos que esta é a verdade e os próprios docentes que têm estes comportamentos estão conscientes do seu erro. Mas como nem tudo é mau também tenho orgulho de pertencer À MELHOR ACADEMIA DO PAÍS e de a maioria dos docentes com quem já tive aulas sejam pessoas fantásticas que se preocupam efectivamente com os seus alunos.

segunda-feira, 17 de março de 2008

O que são hoje as Associações Académicas?

Por sugestão do colega Cadima Ribeiro no seu blog Universidade Alternativa (http://universidadealternativa.blogspot.com/) fui espreitar o blog Oh Não! É Agora! (http://ohnaoehagora.blogspot.com/) do jovem estudante de 22 anos, Jorge Sousa. Prendeu a minha atenção o seu post de 8/03/08, que se reporta a uma notícia do comUM em que um docente participante no último encontro de bloggers fala de um ambiente persecutório e afirma que…

“É muito perigoso expressar a opinião na blogosfera!”

Transcrevo um excerto do que escreve o estudante:

Pois, será. Mas em primeiro lugar faltará perguntar porque é que não existem mais blogs de estudantes, sobre a universidade - estudantes que são uma massa muito mais numerosa do que a dos docentes. Faltará reflectir seriamente sobre se é perigoso ou não, um estudante expressar abertamente, tal como estes docentes muito bem o fazem, não só em blogs, mas por qualquer meio. É inegável que existe bastante receio por parte dos estudantes de se expressarem, mesmo que fundamentadamente, em nome próprio, (…)

Se formos mais a fundo, para além desta opressão silenciosa - e admito que, para muitos, ela existirá inconscientemente, sem má fé -, isto leva a que não exista motivação para pensar. Motivação para discutir. Eu conheço essa Universidade de a ouvir em histórias, do tempo de Coimbra da pré-revolução, tempo que alguns dos docentes conhecerão em primeira mão. Hoje, a universidade, na perspectiva dos alunos, limita-se a ser um mero local onde se tem aulas e se fazem os exames.

Meu caro Jorge daqui vai um abraço pela sua lucidez e coragem.

Compreendo o seu desencanto pela falta de participação cívica e de mobilização dos estudantes para transformar a instituição e a sociedade. E isto leva-me á interrogação:

O que são hoje as Associações Académicas?

Em tempos idos as Associações Académicas eram independentes de qualquer poder, tinham uma ligação forte e genuína com a massa estudantil, eram verdadeiras escolas de formação cívica e democrática.

E hoje o que são?

O que é a AAUM?

É realmente representativa dos estudantes?

Os jogos de poder em que se envolve regularmente tem a ver com os interesses dos estudantes?

E ao chegar ao fim deste post tomo consciência de algumas palavras-chave alusivas ao ambiente académico: perigoso, receio, coragem, opressão silenciosa, ambiente persecutório... Isto não cheira a Democracia (no País, entenda-se) e muito menos a Liberdade.

sábado, 15 de março de 2008

UMA CERTA VISÃO DA REFORMA...

Em 10/03/08 a direcção do SNESup divulgou o seguinte comunicado:

OS QUADROS JÁ NÃO EXISTEM
Colegas:


Por força da publicação da Lei nº 12-A/2008, de 27 de Fevereiro (Lei dos Vinculos, Carreiras e Remunerações), os quadros deixaram de existir desde a sua entrada em vigor isto é, desde 1 de Março, considerando-se revogados os diplomas que procederam à sua criação. Em seu lugar são criados "mapas" que incluem já não "lugares" mas sim "postos de trabalho"

http://www.snesup.pt/htmls/_dlds/Lei_12_A_2008_LVCR.pdf


Embora, dadas as peculiariedades do sistema de vínculos do ensino superior, se vá tornar necessária a introdução de clarificações por via legislativa, possivelmente em sede de revisão dos estatutos de carreira:

- a situação laboral de cada docente ou investigador passa a definir-se em função do vínculo e da categoria, ou seja, a situação que até agora só se verificava com os professores auxiliares de nomeação definitiva (nomeação sem lugar de quadro) até agora invulgar, passa a ser a regra geral para as três categorias de professores;

- o mapa, em que deverão figurar os postos de trabalho de todas as categorias e carreiras, é revisto anualmente aquando da preparação do Orçamento do Estado, podendo vir, em função da decisão que o Governo tome, também anualmente, a conduzir em cada organismo público ou instituição, à admissão / promoção de pessoal ou pelo contrário, à cessação de contrato ou passagem a mobilidade especial.


Nenhuma entidade empregadora privada goza em Portugal de uma margem de manobra tão grande como aquela que vai ser atribuída ao Estado por esta Lei, que quase se diria ter-se inspirado na situação criada nos últimos anos a algumas instituições universitárias e a muitas instituições politécnicas.

O SNESup apela ao estabelecimento de uma cooperação bastante estreita entre as instituições de ensino superior público e as associações sindicais por altura desta negociação anual de verbas e de mapas de pessoal.


É certo que, com o fim dos quadros, e em condições económicas mais favoráveis, poderá ser mais mais fácil desbloquear promoções. A negociação da revisão dos estatutos de carreira deve criar, como vimos propondo, uma Via Verde para o Mérito.


Saudações académicas e sindicais

A Direcção do SNESup

Comentário:

Tendo em perspectiva esta política de "mapas de postos de trabalho", por certo um projecto de ensino "inovador, de grande interesse e oportunidade" e de "muito mérito" (nos termos de diferentes pareceres), recentemente aprovado na UM e registado na DGES, seria merecedor de empenho e zelo institucional na sua concretização. Tendo a seu favor a mais valia de contribuir para a realização de objectivos políticos do Ministério da Educação, mais justificado seria o bom acolhimento institucional. Se assim não é que estranhos interesses aproveitam da obstrução a tal projecto?