terça-feira, 14 de outubro de 2008

Saúde/doença no trabalho e chefias!

Uma notícia do DN (12/10/09) dá conta de um estudo realizado na Finlândia, publicado na revista Journal of Occupational and Environment Medicine, que muito tem a ver com alguns dos temas que têm sido objecto da minha atenção neste blog.

O Instituto Finlandês de Saúde no Trabalho daquele país fez uma revisão sistemática de 27 estudos, realizados entre 1970 e 2005, que investigavam a relação entre a natureza das chefias e o nível de bem-estar dos trabalhadores. Uma das conclusões é que há realmente chefes tóxicos.

Os trabalhadores que apreciam as suas chefias, têm uma probabilidade de ficarem doentes, abaixo dos restantes, em 27%. Mas se falarmos de baixa médica, então os trabalhadores que gostam dos seus chefes têm uma probabilidade de ficarem em casa, incapacitados de trabalhar, inferior à dos restantes em 46 %. Impressionante, é quase metade.

Muitas pessoas sabem da sua experiência que o mau ambiente de trabalho pode tornar-se demolidor para a sua saúde. Para evitar isso são necessários bons líders, no topo e nos níveis intermédios. É por isso que o estudo finlandês considera muito “importante que o desempenho dos superiores seja avaliado e que se promovam aqueles que tenham uma conduta exemplar”.

"Mutatis mutantis" assim seja nas universidades.

Aqui está um excelente tema de investigação para a especialidade de Educação para a Saúde.

sábado, 11 de outubro de 2008

RENOVAR A CULTURA INSTITUCIONAL, ENGRANDECER A UNIVERSIDADE!

A futura eleição do Conselho Geral da UM será uma oportunidade de reflexão e debate que poderá ser melhor ou pior aproveitada. Tendo em vista esse processo avanço com um primeiro contributo:

1. O engrandecimento da Universidade do Minho é indissociável de uma transformação da sua cultura institucional.

A natureza do exercício do poder académico, nos diversos níveis hierárquicos da instituição, é uma dimensão fundamental dessa cultura. Entenda-se antes de mais que, numa sociedade democrática, alicerçada no Estado de Direito, a todas as formas de poder está cometida a nobre função de promoção do bem comum.

2. Os exemplos em que tais poderes perseguem interesses pessoais e de grupo, tendem a promover um clima de opressão, de violação dos legítimos direitos das pessoas e de privação da liberdade de expressão. Nesse contexto institucional a criatividade definha, a inovação e a capacidade empreendedora das pessoas dão lugar à passividade, instalam-se a desconfiança e as estratégias individuais de sobrevivência, as relações interpessoais degradam-se e deixa de haver espaço para saudáveis dinâmicas de trabalho em equipa.

O resultado final são o sentimento de mal-estar das pessoas e a baixa de produtividade académica.

3. O exercício do poder académico não pode estabelecer linhas de balcanização que colocam de um lado os que lhe são “próximos” e de outro os que assumem a liberdade de uma postura independente. Isso é frequente entre nós, e não raras vezes se tomam os primeiros como paladinos do bem da instituição e os últimos como os inimigos da instituição.

Esta forma de maniqueísmo perversa precisa de ser erradicada da Universidade do Minho.

4. O poder académico não pode deixar de ser exercido com um sentido de grande dignidade institucional, pondo de parte todas formas de discriminação e todas as formas de arregimentação com recurso a procedimentos obscuros.

Balizar-se-á pelos princípios da estrita legalidade, da equidade, da justiça, do respeito que a todos é devido e pela garantia absoluta dos direitos legalmente protegidos, a todos, sem excepção.

5. Não pode haver dúvidas quanto à garantia da legalidade dentro da UM. Se assim não for alastra a todo o tecido institucional a ideia de ausência de um poder arbitral, isento e independente, que actue em conformidade. Instalam-se por diversos recantos da instituição poderes discricionários que impunemente actuam à margem da lei.

O estrito respeito da legalidade significará uma grande transformação.

6. Torna-se então necessário trabalhar no sentido de dotar a Universidade do Minho de um conjunto de valores de integridade académica, de mecanismos de auto-regulação eficazes e de instâncias de recurso, com garantia de isenção e imparcialidade, que sejam efectivamente capazes de agir.

7. O Conselho Geral prevê no âmbito das suas competências “propor as iniciativas que considere necessárias ao bom funcionamento da Universidade (artº 29, alínea f).

Aí está uma via possível para promover transformações necessárias.

sábado, 16 de agosto de 2008

CADA VEZ MAIS PODER, CADA VEZ MAIS MEDO!

Com a devida autorização, publico mais uma das mensagens que recebi via email. Faço-o sem a identificação do autor porque, no actual clima institucional e considerando a situação particular de cada um, entendo ser legítimo dar voz aos sentimentos das pessoas que se queiram manifestar, mesmo sob anonimato.

Caro Colega Joaquim Sá

Acabo de ler os seus esclarecimentos no blogue e tenho a sensação de que a universidade ficou 'louca', um psicopata, tal como descrito, não é caso raro e chega mesmo a cargos de direcção, onde tudo se torna possível - e, cuidado, pois há o que ri muito, mas é tudo fachada, o interior é desértico, e como nunca actua sozinho, há, com certeza, também os que não riem e não falam quando é devido, gente estrategicamente muito opaca.

Regulamentos, leis e outros documentos tornam-se o campo de 'leituras desejantes', onde lêem o que lá nunca esteve nem estará. Uma iliteracia indigna de um aluno de liceu, mas tudo devidamente justificado ... "juridicamente".

Infelizmente, a cultura política que temos por aqui é esta: é dizer amém por um lado e, por outro, é preciso massacrar para promoverem o medo da plateia, com a sua consequência natural, que é a bajulação e o silêncio ante o desmando em cadeia. Cada vez mais poder, cada vez mais medo.

Não se deixe massacrar pela impiedade e pela iliteracia na aplicação de critérios de julgamento, a universidade não é tudo para ser humano, há valores muito mais importantes e compensadores.
'Seguro vai para a fonte...'

Um abraço fraterno,

Um outro comentário já publicado que aqui destaco:

Caro Colega,

sou professor na UM e compreendo muito bem por experiência própria o tipo de processos que relatou e as ilegalidades que na UM se alimenta através .... Ainda que de forma anónima, escrevo-lhe tão somente para lhe manifestar a minha solidariedade e dizer-lhe que faz todo o sentido continuarmos a manifestarmo-nos.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

ACTUAR NOS PALCOS INSTITUCIONAIS!

Com a devida autorização publico a mensagem que me foi enviada pelo colega Joaquim E. Neves.

De: Joaquim E Neves [mailto:Joaquim.Neves@dei.uminho.pt]
Enviada: ter 29-07-2008 18:07
Para: Joaquim Gomes Sá
Assunto: Re: As vicissitude de um provimento definitivo

Colega Joaquim Sá

Permita-me que lhe manifeste, muito mais do que solidariedade pessoal perante o seu provimento de nomeação definitiva, um estranho sentimento estimulante de intervenção cívica, para a qual este tipo de situações nos desafiam e responsabilizam.

Reconheço o seu nome associado ao remetente de mensagens que circulam nestas listas de distribuição, bem como a sua pessoa, pela participação nas tertúlias recentemente realizadas por um grupo de reflexão da Universidade do Minho. Identifico, igualmente, a situação narrada como paradigmática da forma indigna, mas que se vem tornando habitual, de tramitação de certos processos burocráticos na Universidade do Minho, onde o interesse público é subordinado pela lei discricionária do mais forte, muitas vezes ditada à medida de interesses particulares de intervenientes concretos.

Contudo, dado que a denúncia isolada destas decisões, marginais a um referencial de valores partilhados, coloca os seus relatores na situação do passarinho duma conhecida anedota ( http://members.tripod.com/~Bicicchi/passarinho.htm ), importa estabelecer uma estratégia de intervenção mais eficiente, reunindo, mais do que um coro de vozes, os instrumentos e os intervenientes necessários para actuar, concertadamente, nos palcos institucionais.

Estando convencido que uma intervenção sistemática, pautada pela afirmação de valores próprios, mereceria o aplauso da academia, gostaria de ver o seu nome, juntamente com o meu, num eventual Casting, para seleccionar os protagonistas da mudança que, nesta Universidade, é incontornável.
Cumprimentos

Joaquim E Neves

terça-feira, 29 de julho de 2008

A PSICOPATIA CORPORATIVA

Segundo o professor Carlos Goldenberg da Universidade de S. Paulo, Brasil, cientistas e instituições de investigação devem estar sob observação e controlo do ponto de vista de princípios éticos. Em vista dessa preocupação, criou em 2003 o curso Enginethics, cuja finalidade é promover a ética na engenharia. O seu interesse pelo tema decorre do facto de ter tido conhecimento de um estudo segundo o qual 70% das empresas de alta tecnologia criadas nos Estados Unidos, fechavam as suas portas ao fim de pouco tempo de existência. Estudou o fenómeno e concluiu que um dos factores importantes do insucesso residia no facto de os seus dirigentes não tratarem adequadamente todos os aspectos relacionais dos seus negócios com a sociedade, especialmente não se conduzirem em conformidade com valores éticos claros. Surgiu, então, a ideia de inserir a ética na formação de “profissionais integrais”

http://www.ripa.com.br/index.php?id=814&tx_ttnews%5BbackPid%5D=471&tx_ttnews%5Btt_news%5D=720&cHash=3fd7c28b3d)

Questionado sobre como pode a falta de valores levar uma empresa à falência, responde que a arrogância aliada à ignorância é o caminho para a auto-destruição de uma organização. Dá como exemplo o caso de alguém que tendo adquirido prestígio e poder, começa a dar palpites e a interferir de forma perigosa em domínios que não são da sua especialidade, o que pode dar origem ao que designa de “suicídio corporativo”.

No curso é dada grande relevância ao estudo da personalidade do psicopata corporativo, no sentido de os futuros “profissionais integrais” serem capazes de identificar os traços dessa personalidade em indivíduos aparentemente empáticos, carismáticos e envolventes. Desse modo ficam aptos a prever e prevenir o “desastre corporativo”. O conceito de psicopata corporativo emerge da reflexão sobre comportamentos altamente competitivos das pessoas, em ambiente de trabalho, que conduzem a atitudes imorais e desprovidos de ética, numa conquista obcessiva de poder e ascensão hierárquica dentro das organizações.

Robert Hare, professor da University of Britsh Columbia, Canadá, e seus colaboradores, publicaram na revista New Scientist resultados de um estudo segundo o qual as características de certos trabalhadores psicopatas são favoráveis a que tenham sucesso na carreira. É no caos organizacional que pessoas com tal perfil alcançam rapidamente o topo.

Michael Shemer, num artigo da revista on-line Scientific American (http://www.sciam.com/) intitulado Do All Companies Have to be Evil?, escreve:

“Evil often happens in hidden places, removed from social accountability, such as in the deep recesses of Abu Ghraib. The first line of defense against evil, then, is transparency, open communication and the constant surveillance of every aspect of a system.”

sábado, 26 de julho de 2008

PROVIMENTO DEFINITIVO: UM PROCESSO "EXEMPLAR" AO LONGO DE 13 MESES

Na sequência da mensagem anterior, enviada à Academia, recebi várias mensagens solidárias e algumas perguntavam-me os factos e as pessoas. Mereceu-me particular atenção uma das mensagens. Transcrevo essa mensagem e a minha resposta.

Enviada: sex 25-07-2008
Para: Joaquim Gomes Sá
Assunto: RE: A toda a acdemia

Caro colega:

(…) fui levada a pensar, (...) que, possivelmente (aliás considero ser a única justificação) as pessoas que têm comportamentos do género dos que identifica em colegas desta universidade, não saberão agir de outro modo. Isto é, o quadro de referências/valores (?) delas foi-se construindo, destruindo-se, com base em facilitismos e mediocridades de tal modo intensas e marcantes que perderam a capacidade de juízo crítico e autoavaliação. Isto é tanto assim que chegam a pensar que os outros, aqueles que ainda vivem pensando no bem comum, no mérito individual e respeito pelas ideias dos outros, mesmo que diferentes das suas, e agem com base nos princípios mínimos de boa relação humana, "devem estar loucos"!

Será que esta justificação é suficiente para ficarmos quietos e deixarmos andar as coisas como estão? Penso que não.

Não sei o que vai conseguir mudar com esta sua longa exposição, valeu a sua atitude pela coragem em denunciar!

Um abraço solidário

A minha resposta

Cara colega,
Muito obrigado pela sua solidariedade. Tenho reflectido muito sobre a natureza das pessoas que agem deste modo. Como não haveria de pensar?

Veja.
O meu processo de provimento definitivo demorou 13 meses penosos (um caso similar pela mesma altura foi encerrado de forma célere), numa ameaça constante de um desfecho negativo, por motivo da acção persecutória de um casal de Professores Catedráticos: um fez (e faz) toda a sua carreira de científica no Centro de Engenharia Biológica da UM e o outro é proveniente do Instituto de Engenharia Biomédica (Porto). Ambos se tornaram Professores Catedráticos no grupo disciplinar de Matemática Elementar e Estudos do Meio Físico para a Criança da UM. Em regime de alternância têm dividido entre si a direcção do departamento ao longo de muitos anos

Sobre o meu provimento, havia um parecer externo positivo, mas o casal queria impor o seu parecer negativo. Esse parecer foi escrito debaixo de contestação, por via de incidente de suspeição, cujos fundamentos foram ignorados.

O parecer negativo afirma que o "Professor Joaquim Sá não refere como preparou, implementou e avaliou o desenvolvimento das disciplinas. Para nenhuma das disciplinas se referiu ao seu enquadramento curricular, aos objectivos a atingir, à selecção e organização dos conteúdos programáticos, aos processos de ensino-aprendizagem, aos métodos de avaliação dos alunos nem à lista biográfica relativa às principais obras a serem consultadas pelos alunos”.

Ou seja, invoca-se para um processo de provimento definitivo (Artº 44º do ECDU, nº 2) o que se aplica ao concurso para Professor Associado (Artº 20º do ECDU): o relatório da disciplina. Pior, eu teria de preparar não um relatório de disciplina, mas tantos relatórios quantos as disciplinas leccionadas. Como não fiz os relatórios das disciplinas, concluiu a relatora que “…Dada esta gravosa lacuna no seu relatório quinquenal (…) sou de parecer inequívoco que o Professor Joaquim Sá mostra não possuir competência, aptidão pedagógica e actualização…”.

Ora, sobre matéria pedagógico-didáctica e formação de professores, posso referir, pelo menos, que sou autor e principal co-autor de 4 livros, um dos quais em 2ª edição, sendo esse trabalho muito alicerçado na investigação realizada em sala de aula, com professores e alunos do 1º ciclo e do Jardim-de-Infância. Esses livros são amplamente utilizados em instituições de formação de professores. E, sem falsa modéstia, esse trabalho abre caminho a uma área académica nova no País, que é a do ensino e aprendizagem das ciências experimentais por crianças, o que está assinalado por quem prefaciou o 1º livro, em 1994. E foi um trabalho desenvolvido sempre na maior adversidade. O juízo daquele parecer é pois insultuoso e só por maldade pura pode ser justificado.

Entretanto em, em relatórios posteriores, a relatora contraria o critério que aplicou ao meu caso, seguindo o que é a interpretação geral da lei sobre o processo de provimento definitivo.

Perante sucessivas ilegalidades (sem atendimento aos meus apelos dentro da UM), apresentei uma queixa ao MCTES e a Inspecçao-Geral da Ciência, Inovação e Ensino Superior fez as suas averiguações. O relatório da Inspecção, homologado pelo Ministro da Ciência e Ensino Superior, recomenda que aqueles dois docentes não participem na deliberação sobre o meu provimento. Todavia essa recomendação não foi acolhida.

Com o arrastamento do processo cheguei a receber uma carta dos Serviços de Documentação que me informavam ter eu deixado de ser utilizador das bibliotecas - o que não podia ser pois eu era Associado. Um zelo extraordinário... e humilhante também. Ainda estou à espera de um pedido de desculpas.

Quando iam decorridos quatro meses após a entrega do relatório quinquenal, não havia decisão e o quinquénio do meu contrato já tinha expirado. Pedi informação sobre o processo por carta, comunicando que estava em casa sem visão, depois de um transplante de córnea, razão por que não podia solicitar a informação pessoalmente. Recebi como resposta um “pedido de audiência escrita”, por carta registada, assinada pela "Professora Catedrática Decano", como gosta de se auto-intitular. Às questões sobre o relatório quinquenal eu deveria responder no prazo de 15 dias.

Obviamente, para mim, considerando as pessoas e as circunstâncias, não era por mero acaso que tal carta coincidia com a difícil condição de visão; já tinham passado 4 meses e o parecer negativo já estava escrito e não foi modificado. Por outro lado, quem enviava o dito inquérito fazia-o à revelia do Conselho Científico de Catedráticos e Associados com provimento definitivo, que havia desencadeado o processo. Portanto, fê-lo à margem da legalidade.

Tornou-se para mim claro que se iria recorrer a um expediente qualquer para me negarem liminarmente o provimento definitivo, caso não respondesse às questões naquele prazo - era esse o objectivo. Respondi pois ditando para a minha esposa o que deveria escrever.

O problema de visão era muito complexo (era conhecido dos colegas), não sabia sequer que evolução poderia ter - estava por isso bastante abatido emocionalmente. Ser atacado, em tais circunstâncias, com aquela brutalidade, foi para mim e toda a família um verdadeiro horror. Eu não tinha ainda percebido que poderiam ir tão longe, de tal modo que só depois disto eu interpus um incidente de suspeição, que desde o início se justificava, mas que veio a ser ignorado.

Senti-me com um naúfrago a quem lhe retiram a única tábua de salvação e com ela lhe dão uma pancada na cabeça para que se afunde de vez.

Naturalmente, interrogo-me se isto é comportamento de pessoas normais. O que vivencio e observo na Universidade não pode deixar de me fazer pensar em psicopatas. Vasculhei um pouco os traços característicos dos psicopatas e lá estão:

- a completa ausência de empatia com a vítima;
- indiferença pelo sofrimento humano que provocam;
- ausência de sentimento de culpa;
- emocionalmente insensíveis;
- relações meramente instrumentais para obtenção de vantagens;
- simulados e astutos na ocultação do seu lado maligno.

Vejo com nitidez estes traços de carácter à minha volta.

E o que dizer de quem me enviou um conjunto de questões para responder por escrito, com prazo bem determinado, quando eu não estaria em condições físicas e psíquicas para o fazer? E que continua persistindo numa atitude de provocação e na obstinação de me sabotar projectos, etc?

Nenhum rebate de consciência faz esta gente reavaliar os seus actos ignóbeis e corrigir a sua conduta. A crueldade dos actos praticados é um juízo que não são capazes de fazer. Como bem diz, fizeram-se sem um quadro de referências e valores que lhes dê um sentido de moralidade e avaliação crítica da sua conduta. Fizeram-se no quero, posso e mando absoluto.

Nenhuma restrição se lhes impõe: nem o poder académico nem a sua consciência moral. O único critério quanto aos meios de que lançam mão são os seus desígnios pessoais - todos os meios são legítimos desde que sirvam esse propósito.

O que é particularmente grave é que em redor muita gente interioriza tais procedimentos como a normalidade institucional e aceita viver resignado com isso. Mais uma vez concordo consigo: os que mantêm a sua lúcida individualidade e pensamento próprio só "podem estar loucos".

Mas eu insisto que não podemos aceitar viver à mercê desta insanidade mental.

Há um grande défice de ética académica. A promoção de uma cultura de ética académica é uma necessidade básica de uma Universidade que não se cansa de dizer que é humanista.

Joaquim Sá

PS: É muito grande o manancial de provas de que disponho para tudo o que afirmo.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

"FORTES" E COBARDES!

Por um destes dias ficou mais uma vez bem patente o fenómeno que adiante descrevo.

Na UM há um certo tipo de "colegas", que são particularmente metódicos e calculistas no firme propósito de causar danos a quem não se submete aos seus desígnios pessoais. Sentem-se e actuam como se literalmente estivessem acima da lei e fazem com que todos em redor acreditem que ninguém lhes “pega”, por mais brutais que sejam os seus actos. Mas essa gente, quando se confronta com uma reacção e denúncia enérgicas, fica cobardemente assustada. Tornam-se então cordeiros mansos, sorrateiros, são até capazes de chorar (literalmente) tentando comover quem possa ficar do seu lado na eventualidade de a justa punição ser aplicada por via disciplinar. Se isso acontecesse seria o descalabro da farsa e da mentira em que vivem.

Mas entretanto, nada acontece, a borrasca passa, o tempo de aperto foi-se e uma vez atrás de outra vão ficando ilesos e incólumes. De cada vez que percebem ter “escapado”, logo voltam ao mesmo padrão de conduta, "fortes" na provocação e escárnio sobre as pessoas que atacam. Vão-se "safando" sempre e desse modo acumulam um "currículo" de patifarias que é de um modo geral conhecido, mas que se faz de conta que não existe, e tudo se passa como se estivessem investidos de uma plena autoridade académica.