segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Esta gente "virtuosa"...
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Assédio sexual e assédio moral: faces da mesma moeda
Sou mulher e não vi retratado o assédio que tenho sentido há muitos anos, o assédio sexual perverso que se faz neste mundo da universidade. Não se trata de um fenómeno passageiro. É um problema que os homens usam abusivamente para atingirem os seus fins. Estou farta que me digam que não estou bem "porque estou naqueles dias".
As razões objectivas que são propícias ao assédio moral são igualmente propícias ao assédio sexual: uma situação de poder do agente de assédio face à (potencial) vítima.
O assédio sexual é normalmente entendido como sendo exercido pelo homem sobre a mulher, todavia, nem sempre é assim. Pessoalmente não tenho conhecimento de casos de assédio sexual do homem sobre a mulher, em contexto universitário, mas do assédio da mulher sobre o homem não posso dizer o mesmo.
Determinadas senhoras, que porventura sacrificaram uma vida afectiva saudável à profissão, ao atingirem um patamar elevado e estável na carreira, e vendo os anos correr..., acham que é chegado o momento de dar um pouco mais de "picante" e colorido às suas vidas (o que, em abstracto, não pode deixar de se considerar uma aspiração legítima). Um colega, seu subordinado, provavelmente mais jovem e supostamente um homem interessante, parece presa fácil, passando a ser visto como o instrumento desse desiderato. Passa então a ser alvo de especial atenção e interesse com vista a um estreitamento do relacionamento profissional: de início é "tudo a propósito de trabalho". O elemento masculino sente-se lisongeado com o interesse pelo o seu trabalho e com o "reconhecimento" da qualidade do mesmo, por parte da superior hierárquica, encarando com satisfação os incentivos, os apoios e até a perspectiva de um trabalho "conjunto". A sedução parece surtir o efeito desejado.
Mas com o tempo, o "eleito" vê reclamada sua presença a todo o momento para "colaborar" nesta e naquela tarefa inadiável, as mensagens por diveros meios passam a sar contínuas - cartas manuscritas, telefonemas para casa, para o gabinete, textos por email -, a senhora aparece no seu caminho invocando todo e qualquer pretexto. Finalmente sente-se cercado, sem liberdade para dispor do seu tempo e da sua vida com livre-arbítrio e decide começar afastar-se, com a parcimónia de quem teme represálias.
Chega-se ao ponto de a autora de assédio sexual reconhecer esse facto por escrito, disfarçado em urgentes tarefas profissionais, nestes termos: “(…) chego à conclusão que a minha “vigilância” permanente junto às “tuas-nossas” actividades conduziu sobre ti a uma sensação de pressão, de coacção, de “horror” à minha presença” (...) “Porque eu sei (e tu sabes que eu assim penso) que tu és intelectualmente brilhante; aspecto que, reconheço, fico eu bem aquém. Assim, a tua visão teórica, intelectual, poderia ter “casado” bem com a minha capacidade efectiva de execução”.
As verdadeiras intenções são percebidas e finalmente declaradas - a situação torna-se patética e de grande embaraço. Tendo em conta a relação hierárquca, o sujeito explica de forma cautelosa que "não pode ser", que "não está interessado", mas a pressão continua, é um sufoco. Por fim, acaba por ser necessária uma atitude de mais drástica ruptura.
Temos então uma mulher que se sente rejeitada, mas essa mulher dispõe de poder sobre quem a rejeitou - está o caldo entornado. Quem não reconheceu os seus encantos femininos há-de reconhecer o seu poder da pior maneira. Segue-se então a revanche e começa o processo de assédio moral.
Assim, é na relação de poder - do homem sobre a mulher ou da mulher sobre o homem - que assenta o assédio sexual que, por sua vez, pode dar lugar ao assédio moral. Sendo os fenómenos de natureza diferente podem em certos casos ser faces da mesma moeda.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Conferência "Psicopatas no local de trabalho? O assédio moral nas organizações"
Está prevista a projecção de um pequeno filme sobre "mobbing" e uma conferência, com as palestras "Repercussões do Mobbing/Assédio moral no bem-estar do trabalhador", por Ana Lúcia João, "O assédio moral no trabalho: uma perspectiva feminista", por Joana Oliveira, e "O assédio moral como comunicação patológica: o contributo de Gregory Bateson", por Luzia Pinheiro e José Pinheiro Neves. A moderação cabe a Joel Felizes, Director do Curso de Sociologia da UMinho. A organização do evento cabe ao Departamento de Sociologia do Instituto de Ciências Sociais da UMinho, ao Núcleo de Estudantes do Curso de Sociologia (NECSUM) e à unidade curricular "Trabalho e Culturas Profissionais" do Curso de Sociologia.
Contactos:
Instituto de Ciências Sociais da UMinho
Departamento de Sociologia
Tel.: 253604212 /80
Email: sec-dsa@ics.uminho.pt
Comentário:
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A consumação de um plano de destruição humana
“O Prof. X interveio para afirmar que não está a pedir o levantamento de um processo disciplinar mas que fará todos os possíveis para que ele (Dr. Sá) se vá embora”.
Por incrível que pareça, coisas destas constam de uma acta; reinava então uma espécie de legitimidade "revolucionária" de um "iluminado", o que redundava na ausência do mais elementar bom-senso. Por isso mesmo, nessa altura e nos anos seguintes, ganhei todas as eleições para representante dos docentes não doutorados a que me apresentei (e foram 3), por larguíssia maioria, num universo de 30 a 40 docentes (havia os docentes requisitados da profissionalização em exercício, com direito de voto).
O que me movia no propósito de ser representante eram a o direito de participação dos docentes, a exigência de informação, pugnar pela democraticidade e transparência das decisões, a defesa da igualdade (de tratamento, de oportunidades e de recursos disponibilizados aos docentes) contra a discriminação, a recusa de todas as formas de conduta anti-ética, designadamente, o desrespeito das pessoas e os abusos de poder. Mas à lei força, acabava sempre por prevalecer o contrário do que eu e os meus colegas defendiam. Por isso se criou a tese de que não tínhamos ainda "cultura universitária", do mesmo modo que, mais de uma década depois, uma colega estrangeira "não se adaptava à cultura portuguesa", pois a sua liberdade de pensamento tornara-se particularmente incómoda.
Com a minha visão do mundo, pensamento, convicções e personalidade, eu percebi que tinha caído no fundo de um poço sufocante onde me era impossível respirar. Foi por isso que no início do ano lectivo de 91/92 comuniquei a minha decisão de no final desse ano abandonar a UM e concorrer para o Ensino Secundário, de onde me tinha desvinculado do lugar de professor efectivo. Mas durante esse ano, os alunos do 1º ciclo "convenceram-me" que o trabalho exploratório de investigação que fazia com eles nas suas salas de aula era único e necessário. Decidi então ficar para dar continuidade a esse trabalho fascinante (ver http://geniociencia.blogspot.com/ ), que eu tinha iniciado de forma completamente desprendida, pois tinha a perspectiva de abandonar a carreira universitária alguns meses depois.
Mas persistiam os problemas com a minha presença na instituição. O simples facto de fazer perguntas que para sempre ficaram sem resposta... era uma heresia insuportável. A minha conduta tinha o apreço e a consideração da esmagadora maioria dos meus colegas de então e era especialmente isso que não podia ser tolerado por gente obcecada pelo o poder a qualquer preço. Era preciso cortar o mal pela raíz...
Aquela garantia inaudita (que eu desconhecia) de tudo se fazer para me afastar continha o anúncio de um plano de aniquilação profissional. Diferentes actores, que adoptaram a mesma "escola" da insana brutalidade, sustentada em superior patrocínio hierárquico, prosseguiam o plano enquanto eu resistia como podia; e assim foi durante 20 anos. A minha saúde foi-se degradando em diferentes aspectos, de ano para ano. Consequentemente, hoje estou em casa sem poder trabalhar: o plano cumpriu os seus objectivos.
Tristemente, é desta miséria moral que muito se fazem as nossas universidades e muitos dos notáveis que as habitam.
Para mais esclarecimentos:
http://liberdadeuminho.blogspot.com/2008/07/sero-essas-pessoas-normais.html
sexta-feira, 11 de junho de 2010
A condecoração de Saldanha Sanches me conforta!
No passado 10 de Junho, Saldanha Sanches foi condecorado... a título póstumo, como Grande Oficial da Ordem da Liberdade. Como disse Maria José Morgado, a esposa, após a condecoração ter sido recebida pela filha de ambos, Saldanha Sanches permanece entre nós, pela mão dos homens e mulheres que se conduzem e lutam pelos valores e princípios que nortearam a sua vida: valores de liberdade, de justiça, de honestidade, de ética, de honradez, de cidadania activa e de compromisso pessoal com o interesse comum. E também da coragem e da indignação que punha na afirmação de tais valores.
São boas razões para uma condecoração… apesar de a título póstumo, no dia de Portugal. Isso me conforta por estes dias de tristeza e indignação perante a recompensa da mentira e do embuste.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
E na UM como é? Exijo uma resposta clara.
E EU PERGUNTO:
E na UM, com o seu estatuto de Autonomia, o que é feito das variadíssimas queixas que apresentei em relação a vários Professores Catedráticos, que, agiram de forma concertada ao longo de muitos anos, para destruir a minha saúde e a minha carreira? Está absolutamente provado que atentaram contra meus direitos legítimos, de forma deliberada e continuada, em total violação da legalidade. A indiferença da instituição foi total.
Eu não me suicidei, deixando caminho aberto para que se lance sobre o desaparecido a responsabilidade pela sua pouca sorte, como se tem visto. Não, eu estou cá, suficientemente vivo para que exigir que a justiça se faça.
EXIJO UMA RESPOSTA CLARA QUE POSSA RESSARCIR-ME, PELO MENOS EM PARTE, DOS IRREVERSSÍVEIS DANOS QUE ME FORAM CAUSADOS.
domingo, 16 de maio de 2010
“Homens doutos, hirtos, de toga e de capelo”, do alto dos seus cadeirões...
Isso dá azo a carreiras académicas que não são de facto carreiras de mérito; são antes processos de ascensão a patamares de poder crescente por via de tácticas e estratégias, recheadas de uma panóplia de truques e expedientes. E quando assim é, sendo o salto maior que a perna, é fundamental o jogo da propaganda - muitos eventos, aparecer o mais possível, contactos “internacionais”, fazer o nome circular das mais variadas formas, encomendar bajuladores de serviço para o elogio gratuito, traficar influências para obtenção de prémios e honrarias vãs... Tudo isto é um plano meticulosamente executado para cultivar a aura do susposto génio, "legitimando-se" assim o exercício da autoridade aristotélica: poder equivalente a autoridade científica. (São "génios" capazes de inconfessáveis patifarias no silêncio das catacumbas.)
Ora, à semelhança do marasmo atávico da filosofia e da ciência durante a Idade Média, por via do peso da tradição aristotélica, também hoje, as áreas de conhecimento onde imperam as lógicas de poder como processo de legitimação do saber, estão condenadas ao dogmatismo imune à realidade que supostamente seria o seu objecto de estudo. Desse ponto de vista, muito do que se observa na Educação é arrepiante: a prolixa e abundante peroração só pode ser a expressão da estagnação e da demagogia. Às veleidades da inovação e da diferença, os “homens doutos, hirtos, de toga e de capelo” encarregam-se de expurgar as ovelhas desalinhadas do rebanho; porque a inovação fecunda tira-lhes o chão de baixo dos pés, fazendo-os cair com estrondo do alto dos seus cadeirões.
Para que possamos ter uma visão superior, do alto da falésia, vale a pena ver e ouvir o Poema para Galileu, de António Gedeão, declamado pelo próprio em:
http://www.youtube.com/watch?v=PJTu5KM3UG4
Ou então ler:
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!
Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.
Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu, e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.
Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.
Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.
Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.
sábado, 1 de maio de 2010
Stress crónico provoca alterações a nível cerebral?
Caros colegas,
Permito-me a liberdade de interpretar a divulgação desta notícia de publicação de um trabalho científico, não só para nos dar conhecimento do mesmo, mas igualmente para nos abrir a oportunidade de fazermos algum tipo de consideração se para isso encontrarmos motivo bastante. O artigo relaciona o stress crónico, com alterações ao nível cerebral e os processos de decisão. Eu sou investigador educacional, e para compreender, investigar e intervir na aprendizagem e na formação, necessito de estudar, entre outros matérias, a cognição, a inteligência emocional, e mais recentemente as neurociências, designadamente os livros de António Damásio. Antecipo desde já que, a propósito do processo decisão inteligente, para uma melhor aprendizagem, é muito importante o tema da metacognição (a consciência por parte do aluno dos seus processos cognitivos e a consequente auto-regulação, direccionando-se a si próprio para melhores desempenhos).
Compreende-se assim que me tenha interessado pela notícia deste artigo. A leitura do resumo (não tive acesso ao full paper) apresenta-nos um estudo laboratorial com ratos, sem nenhuma referência aos seres humanos, no que diz respeito ao stress crónico, modificações cerebrais e processos de decisão. Todavia, na notícia que consta no Portal de informação on-line da UM não há uma só referência aos ratos [ http://umonline.uminho.pt/ModuleLeft.aspx?mdl=~/Modules/Eventos/EventoView.ascx&ItemID=2325&Mid=19&lang=pt-PT&pageid=8&tabid=3 ]
Aí se pode ler:
A demonstração de que o stress favorece decisões habituais tem impacto na etiologia de várias patologias neurológicas e psiquiatrícas, nomeadamente pertubações obsessivo-compulsivas e comportamentos aditivos. Contudo, as consequências deste achado ultrapassam os limites dos quadros patológicos, sendo relevantes para as nossas actividades diárias. O estudo permite compreender melhor quais os factores que influenciam os processos de tomada de decisão e, em particular, como a exposição prolongada ao stress afecta os circuítos cerebrais que determinam as nossas (menos boas) decisões, na medida em que decisões que normalmente teriam em linha de conta as respectivas consequências, passam a ser baseadas em hábitos. Assim, em última análise, esta descoberta abre novas perspectivas para a modulação dos processos de decisão.
(…)
O leitor jamais poderá imaginar que a notícia se refere a um estudo com ratos e só poderá pensar que tudo o que aí se diz se reporta aos seres humanos. Conhecendo o resumo do artigo, depreende-se que a notícia é uma (pelo menos aparente) extrapolação para os humanos, mas não se apresentam os fundamentos dessa extrapolação. Na notícia do Público de 31/07/09, há uma breve referência ao estudo laboratorial com ratos, mas essa extrapolação também lá figura.
Do que estudei e conheço, o processo de decisão no ser humano é indissociável do problema da consciência, atributo exclusivo do Homem no mundo animal. Segundo Damásio (2001), a neurobiologia da consciência enfrenta, pelo menos, dois problemas: o de como se constrói o “filme-no-cérebro” [as imagens de pessoas, lugares, melodias, relações, etc.] e o de como o cérebro constrói o sentido da existência de um proprietário e espectador para esse filme (O Sentimento de si, pg. 30).
É justamente porque o Homem é proprietário e espectador do seu próprio pensamento que os humanos podem auto-regular os seus processos mentais designadamente, nos processos de decisão. E a capacidade de espectador do próprio pensamento pode ser treinada e desenvolvida – é nisso que consiste oa promoção de competencias metacognitivas. Esta capacidade não está ao alcance das outras espécies animais, designadamente dos ratos, nos quais foram observadas alterações ao nível cerebral, resultantes do stress crónico a que foram sujeitos em laboratório.
Defraudado na expectativa suscitada com o anúncio da publicação, achei em consciência que devia aqui trazer este meu ponto de vista, bem como manifestar a minha grande perplexidade, face às extrapolações para os seres humanos, em aspectos tão específicos como "patologias neurológicas e psiquiátricas, nomeadamente pertubações obsessivo-compulsivas e comportamentos aditivos" a partir de uma experiência laboratorial com ratos. Na verdade não é possível vislumbrar o alcance e o propósito da notícia, tão amplamente divulgada, e ainda patente no portal de uma instituição científica, que é o caso de uma universidade.
Joaquim Sá
(Professor Associado – Instituto de Educação)
domingo, 25 de abril de 2010
Mutatis mudantis...
Os juízes portugueses, enquanto titulares de poderes soberanos vitalícios, escolhem-se uns aos outros, avaliam-se uns aos outros, promovem-se uns aos outros, julgam-se uns aos outros e absolvem-se uns aos outros, sempre sem qualquer escrutínio democrático.[…] o que deslegitima os tribunais perante a sociedade é o facto de o poder judicial não se adaptar à democracia e ao Estado de direito.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1552802
Mutatis mutantis...
que havemos de dizer do hermético corporativismo e compadrio que bem se acoitam à sombra da virtuosa Santíssima Autonomia Universitária? Aí se atacam pessoas de forma cobarde, cruel e impiedosa transformando-as em farrapos humanos... e é tudo a "Bem da Nação".
sábado, 24 de abril de 2010
Falta de ética: um dado "natural" da vida!
O economista estrangeiro que nos pressagiou a bancarrota, (...) disse que estávamos num "estado de negação". Claro que estamos, mas talvez pior do que isso, seja a prisão interior num universo feito de tanta mentira que já não sabemos viver doutra maneira, já somos parte de uma mentira tão entrelaçada com as outras que não conseguimos ter sentido nem direcção.
http://jornal.publico.pt/noticia/24-04-2010/rede-de-mentiras-19260756.htm
É assim, entre nós... qualquer esboço de ética é a excepção e o seu contrário a norma. Isto pode parecer uma afirmação estranha porque estamos já tão familiarizados e adaptados à falta de ética que esta passou a ser um dado "natural" da vida ... Reagir contra essa ordem "natural" das coisas é uma excentricidade própria dos "loucos", que devem ser enviados em degredo para um qualquer Gulag.
domingo, 18 de abril de 2010
Estará a UM disposta a estudar o assédio moral intra-muros?
http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/linhadafrente/?k=ESCRAVOS-DO-PODER.rtp&post=5567
Os danos mais frequentes do assediado passam por cansaço exagerado, nervosismo, enxaquecas, distúrbios do sono, irritação permanente, ruminações constantes, perturbações da memória, tremores, hipertensão arterial, tristeza profunda, alteração da personalidade (com nota dominante para uma agressividade crescente), evitação de circunstâncias que tragam associações à tortura psicológica, inversão da escala de valores, pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio, desordens do aparelho digestivo, com eventual perda ou ganho consideráveis de peso, hipotético consumo de álcool ou drogas, dores de cabeça, musculares e na coluna, falta de confiança em si, projecção negativista do futuro, agravamento de enfermidades previamente manifestadas, angústia, ansiedade, mágoa, ressentimento, sentimento de fracasso, caos interior, vergonha, culpa, sensação de se ter sido traído(a) e de inutilidade, infelicidade genuína.
Na UM há assédio moral. Estará a UM disposta a estudar o assédio moral intra-muros, a avaliar as consequências e prejuízos que daí decorrem para as pessoas e a instituição, e a adoptar políticas de prevenção?
domingo, 11 de abril de 2010
O medo e a corrosão de carácter nas relações de trabalho
Enfim, outros [trabalhadores], que são mais bem protegidos contra as agressões físicas, têm medo, hoje em dia, de não atingir os objectivos de rentabilidade que lhes são impostos. Se as sanções em caso de insuficiência se traduzem pela demissão, compreende-se que o medo tenha lugar no trabalho ordinário. As consequências do medo são, em primeiro lugar, a perda do prazer de trabalhar e, em seguida, o desaparecimento da confiança nos colegas. Além disso, o medo dá lugar à agressividade, ao ódio, ao rancor etc. O medo faz sofrer. É preciso se defender. E as estratégias de defesa são difíceis de construir e manter. Quando elas são solidamente constituídas, porém, transformam profundamente a personalidade. É o que certos autores anglófonos chamam polidamente de “a corrosão do carácter ”.
IHU On-Line - Quais seriam os maiores medos do sujeito pós-moderno?
Christoph Dejours - O medo é mau conselheiro. Ele gera condutas de autodefesa que arruínam as instituições e violam o direito. Talvez o mais preocupante não seja o medo, mas, principalmente a falta de esperança de que a tendência possa se inverter. Nós não estamos mais em condições de transmitir a confiança, a esperança, o senso comum da justiça, a solidariedade, nem as regras de vivermos com nossos filhos. Nós só sabemos transmitir uma única coisa: o valor do dinheiro. Isso é insuficiente, no entanto, para constituir a base de uma cultura.
Ver entrevista completa em
sábado, 10 de abril de 2010
A demagogia do poder concedido aos "delegados" da Associação Académica no CG
Cadima Ribeiro
Continua em http://universidadealternativa.blogspot.com/2010/03/das-intencoes-aos-factos-contributo.html
sexta-feira, 9 de abril de 2010
CANALHAS CONSAGRADOS???!!!!!
"NOTÓRIO SABER E REPUTAÇÃO ILIBADA",
ou pelo contrário podem os titulares virar
"CANALHAS CONSAGRADOS"
que continuam sorrindo, impunemente, de forma angelical, na sua canalhice?
Veja o discurso de uma retórica brilhante, no conteúdo e na forma, inflamado de indignação, da deputada brasileira Cidinha Campos:
http://www.youtube.com/watch?v=G-SHAak_stc&feature=email
quarta-feira, 31 de março de 2010
"Suicidou-se outro professor"
terça-feira, 30 de março de 2010
Criminalizar o bullying
A Ministra da Educação e o Ministro da Justiça acolheram bem a proposta do PGR de criminalizar o bullying, no âmbito da violência escolar: está em preparação uma iniciativa legislativa. http://www.publico.pt/Educação/tipificacao-de-bullying-como-crime-na-violencia-escolar-vai-avancar_1430170
Mas, já que se vai legislar, seria bom que se pensasse de uma forma mais profunda sobre a complexidade do bullying (assédio moral), em todas as suas formas de expressão na sociedade, incluindo a que é praticada por adultos contra adultos, para, por exemplo, impedir que o mérito de alguém se destaque da mediania ou mesmo mediocridade circundantes - a very typical portuguese practice! Desta estúpida ciumeira que destrói, sem olhar a meios, tudo o que possa elevar-se acima de um cinzentismo mesquinho, resulta um país.... muito desenvolvido... Especialmente em Educação estamos... muito bem..., porque a inovação avança com vigor, pelas escolas, pelas universidades, pelas empresas, por toda a sociedade... Viva Portugal e os verdugos da Inteligência!
quarta-feira, 24 de março de 2010
Ética, humanismo e economia
O economista César das Neves explica logo no início (...): “Ser boa pessoa, como todos sabemos, nunca é coisa que se consiga daquela forma que os executivos usam para conseguir as outras coisas. Por isso, não se pode resumir, simplificar, mecanizar”.
Num momento em que a crise financeira e económica faz salpicar milhares de vezes a palavra “ganância” por textos jornalísticos, ensaístos, humorísticos e de restante natureza; um trabalho sobre ética parece vir a propósito. Sobretudo quando nem todo os “Madoff” que pululuam pelo mundo estão numa barra de tribunal ou a caminho dela. César das Neves é claro: a ética não serve para atingir a perfeição, serve para ser boa pessoa. Isto é, com falhas e erros pelo caminho, o sucesso do empresário mede-se pela actuação no sentido de fazer o melhor possível.
Comentário:
sexta-feira, 12 de março de 2010
Professor vítima de bullying preferiu morrer ...
http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/professor-vitima-de-bullying-preferiu-morrer-a-voltar-ao-9%C2%BA-b_1426720
Luis não avisou ninguém do acto radical. Mas radicalizou, segundo a família e os colegas, os apelos junto da direcção da escola para que resolvesse a indisciplina, em particular naquela turma. Fez várias participações que não terão tido seguimento.
(…)
Alguns, sob anonimato, asseguram, tal como a família, que Luís era alvo de bullying e estava "profundamente desesperado e deprimido".
(..)
Outra aluna, a única que, no fim das aulas, ficava para trás para conhecer melhor o silêncio de Luís, lamenta a partida "prematura" e arrepende-se de não ter ficado mais tempo a conversar com ele. "Tive medo do que as pessoas podiam dizer se me aproximasse. Sinto-me muito mal por não ter ajudado mais. Uma vez arrancámos-lhe um sorriso. Quando sorria era outra pessoa."
(…)
A irmã descreve a profunda tristeza do professor nos últimos meses, ao longo dos quais "desabafou muito" com os pais, com quem ainda vivia. Nunca deu indícios do acto. Foram encontrados, depois da morte, no seu computador. "Se o meu destino é sofrer dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim - e não tendo eu outras fontes de rendimento -, a única solução apaziguadora será o suicídio." A frase encontrada não deixa dúvidas. Há vários desabafos escritos em alturas diferentes que convivem lado a lado com as participações…
Neste blog:
http://liberdadeuminho.blogspot.com/2008/07/sero-essas-pessoas-normais.html
http://liberdadeuminho.blogspot.com/2009/03/podem-passar-mil-anos.html
http://liberdadeuminho.blogspot.com/2010/02/o-assedio-moral-na-primeira-pessoa.html
quinta-feira, 11 de março de 2010
Resolver situações de ameaça, de conflito ou agressão
“Com essa decisão o aluno agressor poderá ser imediatamente afastado da situação de contacto com o aluno agredido. Queremos resolver rapidamente situações de ameaça, conflito ou agressão, sem prejuízo de medidas disciplinares que se instaurem no momento em que há este tipo de situações nas escolas”, apontou Isabel Alçada.
http://www.publico.pt/Educação/escolas-com-mais-poderes-para-suspender-agressores_1426619
terça-feira, 9 de março de 2010
A Avaliação de Desempenho dos Docentes: um contrato de (des)confiança?
Este texto de Teresa de Alpuim (que teve divulgação universal nas listas da UM), apresentado num debate promovido pelo SNESup no Instituto Superior Técnico, é importante em qualquer altura, e é especialmente oportuno nestes dias que antecedem a implementação da Avaliação de Desempenho dos Docentes. Entra em profundidade no debate que importa travar, ao contrário de outros debates que não o chegam a ser, onde tudo o que é verbalizado está bem balizado nos estreitos limites da cultura institucional dominante, e muitos dos silêncios são a expressão do indizível que vai na mente das pessoas.
O número de Professores Catedráticos na UM é de 81 num total de 1153 (7%) e serão esses docentes os avaliadores. Tendo sido assinado recentemente um contrato de confiança entre a UM e o MCTES, é particularmente pertinente perguntar se a Avaliação de Desempenho dos Docentes será dentro da instituição um contrato de confiança ou um contrato de desconfiança.
O que vejo é uma generalizada inquietação e sentimento de impotência perante a avalanche avaliadora. Alguém expressava há dias o que lhe vai na alma nestes termos: “vamos passar a trabalhar com uma pistola apontada à cabeça”. As inquietações estão focadas em três aspectos essenciais: a) preocupação quanto ao futuro profissional individual; b) confusão quanto ao modo como saber conduzir-se neste novo quadro, de modo o poder “safar-se”; c) preocupação com o previsível agravamento das relações inter-pessoais (aumento de conflitualidade) e com a expectável degradação da atmosfera no contexto de trabalho.
No inquérito* que foi distribuído a todos os docentes da UM, em Maio de 2009, ao qual responderam 290 (25,1%), perguntava-se que percepção de importância têm, nas práticas da instituição, diferentes factores para efeito de progressão na carreira (escala: nada importante; pouco importante, importante, muito importante). Somadas as percentagens de importante e muito importante obtiveram-se os seguintes resultados: 1º - Actividade de investigação (89,4%); 2º- Pertença a grupos de influência (73%); 3º - Actividade de gestão (63%); 4º - Antiguidade na categoria/instituição (61,7%); 5º - Laços familiares ou de amizade (51,6%); 6º - Actividades de extensão (45,7%); 7º - Actividade de ensino (37,4%).
Naturalmente cabe perguntar se têm os docentes razões para acreditar que será de modo diferente na Avaliação de Desempenho.
Sobre a capacidade de gestão de conflitos, por parte das lideranças académicas, a soma das percentagens presente e muito presente é de 39,5% (pouco presente/nada presente: 60,5%). E na sua perspectiva pessoal, 96,7% dos docentes consideram ser importante/muito importante que as lideranças tenham essa capacidade. Ou seja, há uma percepção de conflitualidade muito acentuada e um forte desejo de que a mesma seja atenuada, por via da acção das lideranças.
Ainda sobre as lideranças académicas, apenas 39,2% consideram estar presente/muito presente o sentido de justiça no seu modo de actuação (pouco presente/nada presente: 68,4%); e 99% dos docentes consideram importante/muito importante que as lideranças actuem com sentido de justiça. Na caracterização do clima profissional, apenas 37,9% consideram estar presente/muito presente a justiça nas decisões sobre a profissão/carreira (pouco presente/nada presente: 62,1%) e 97,2% consideram importante/muito importante que haja justiça nessas decisões. Há uma forte percepção de injustiça e uma grande aspiração de que se pratique a justiça na UM, no que diz respeito às decisões sobre a vida profissional.
É neste quadro que estamos em via de avançar para aplicação da Avaliação de Desempenho, cuja proposta de regulamento em discussão, prevê a figura de recurso por parte do avaliado, quando discorde da avaliação. Todavia, nas respostas ao inquérito a que me tenho vindo a referir, apenas 27,5% consideram presente/muito presente a existência de instâncias de recurso fiáveis (pouco presente/nada presente: 72,5%); em contraste, 91,1% dos docentes considera importante/muito importante a sua existência. Esta percepção dos docentes não pode deixar de colocar em situação muito crítica a desejável credibilidade de que o recurso, no âmbito da Avaliação de Desempenho, possa efectivamente funcionar no sentido da reparação das injustiças que venham a ocorrer.
Estas são as percepções de um número muito significativo de docentes da UM, expressas na segurança e tranquilidade que o preenchimento de um inquérito anónimo garante. O seu significado é uma realidade incontornável na vida da academia, por mais esforços que se façam para reduzir a nada os sentimentos profundos das pessoas. Precisamos todos de nos compenetrar da necessidade de fazer algo para melhorar este panorama geral de insatisfação. Os decisores sobre a Avaliação de Desempenho devem interrogar-se seriamente se o passo que vamos dar vai contribuir para o agravamento desta situação. Se for essa a direcção, nada de bom poderá resultar para a vida das pessoas, para a qualidade do ensino e da investigação e para a instituição em geral. A qualidade do ensino está fundamentalmente no ser professor (é possível produzir evidências) e a qualidade da investigação é produto do pensamento e reflexão profundos.
É preciso dissipar os sentimentos que tolhem o pensamento, a criatividade e o entusiasmo das pessoas no trabalho. É necessário garantir que a selecção dos avaliadores seja muito criteriosa; deverão ser pessoas íntegras, com uma conduta académica eticamente irrepreensível aos olhos de todos. Essa é uma condição fundamental para gerar o indispensável sentimento de confiança dos docentes face ao processo de avaliação de que vão ser alvo.
*Projecto de investigação Representações da Vida Académica – um estudo na Universidade do Minho, inscrito no CIEd.
Joaquim Sá